Com a chegada do inverno e a queda das temperaturas, aumenta também a preocupação com as doenças respiratórias. Todos os anos, os meses mais frios concentram maior circulação de vírus como influenza, vírus sincicial respiratório (VSR) e Covid-19, elevando a procura por vacinas e reforçando a importância da prevenção, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.
A vacina contra a gripe segue como uma das principais ferramentas de proteção nessa época do ano. Segundo o Ministério da Saúde, a imunização anual contra a influenza ajuda a reduzir internações, complicações e mortes relacionadas ao vírus, além de aliviar a pressão sobre o sistema de saúde. A recomendação é que a vacina seja aplicada todos os anos, já que as cepas circulantes sofrem alterações constantes.
Dados mostram que 82% das pessoas internadas não se vacinaram
Apesar da recomendação, nem todos assumem o compromisso com a imunização, e os impactos da baixa cobertura vacinal se refletem nos hospitais. Dados oficiais do estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, apontam que, em 2024, 82% das pessoas internadas por gripe não estavam vacinadas. Entre as crianças hospitalizadas, esse índice chegou a 90%. Já entre os idosos, 73% dos pacientes internados também não haviam recebido a vacina.
“Existe uma percepção equivocada de que gripe é algo simples. Mas a influenza pode evoluir para quadros graves, especialmente entre idosos, pessoas com doenças cardiovasculares, diabetes, problemas respiratórios e imunossuprimidos. A vacina reduz significativamente os riscos de internação, agravamento e sequelas”, explica o médico André Luiz Silva, fundador da Previmune, rede especializada em vacinação.
Segundo ele, o comportamento do consumidor também vem mudando. “Historicamente, a vacinação infantil sempre teve maior adesão. Agora, começamos a observar um movimento importante entre adultos e pessoas acima dos 50 anos, que passaram a enxergar a imunização como parte de uma estratégia de longevidade, prevenção e qualidade de vida.”
Além da gripe: um novo olhar para a imunização
A preocupação com a saúde preventiva tem ampliado a busca por outras vacinas importantes, especialmente entre o público com mais de 50 anos.
Entre as mais procuradas estão:
• Influenza (gripe): aplicação anual; reduz complicações respiratórias, internações e o agravamento de doenças cardiovasculares.
• Pneumo 20: auxilia na prevenção contra pneumonia e outras doenças pneumocócicas, sendo especialmente relevante para idosos.
• Arexvy (VSR): vacina voltada à prevenção do vírus sincicial respiratório, associado a quadros graves de bronquiolite e complicações pulmonares em adultos mais velhos.
• Herpes-zóster: recomendada principalmente para o público acima dos 50 anos, vem ganhando atenção após estudos apontarem associações entre a imunização e a redução de riscos relacionados a outras condições de saúde.
“O inverno funciona como um gatilho de conscientização, mas a prevenção precisa acontecer o ano inteiro. A vacina é uma das principais ferramentas de medicina preventiva que temos hoje”, afirma o dr. André.
Farmácias ganham espaço na vacinação
Esse movimento também vem transformando o varejo farmacêutico. Dados da IQVIA mostram que o mercado de vacinas movimentou R$ 2,8 bilhões nos últimos 12 meses encerrados em novembro de 2025, com crescimento de 30,8%. Nas farmácias, o avanço foi ainda mais acelerado: a participação do canal saltou de 9,7% para 14,1%, um crescimento de 82,9%.
De olho nessa transformação, a FarMelhor, uma das maiores redes de farmácias do país, com mais de 400 unidades, adquiriu recentemente 45% da Previmune, em um movimento estratégico para ampliar sua atuação em serviços de saúde preventiva.
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A parceria prevê a expansão de salas de vacinação dentro das farmácias da rede. Quatro operações já foram comercializadas, incluindo uma unidade no Aeroporto Internacional de Confins, em Minas Gerais, que deve se tornar a primeira sala de vacinação instalada em um aeroporto brasileiro.
“O papel da farmácia mudou. Hoje, o consumidor busca orientação, prevenção e conveniência. A vacinação faz parte dessa nova lógica de cuidado integrado com a saúde”, afirma Renan Reis, CEO da FarMelhor.
