Com o início das regulamentações da reforma tributária previsto para o início de 2026, o setor farmacêutico segue atento às questões que envolvem medicamentos e serviços de saúde como um todo. Com margens já pressionadas pela concorrência e pela oscilação nos preços dos insumos, donos de redes de farmácias precisam se adaptar rapidamente às mudanças para manter a competitividade.
De acordo com levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o setor farmacêutico movimenta mais de R$ 190 bilhões por ano no Brasil. A previsão é que a reforma tributária traga simplificação de impostos, mas também novos desafios de gestão, principalmente no controle de créditos fiscais, capital de giro e precificação.
Especialistas em tributação destacam que a substituição de tributos como PIS, Cofins e ICMS pelo futuro Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) exigirá atualização nos sistemas de gestão fiscal e contábil das empresas. Além disso, regulamentações recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), relacionadas à rastreabilidade de medicamentos e aos serviços clínicos dentro das farmácias, ampliam a necessidade de investimento em tecnologia e compliance.
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As grandes redes tendem a ter mais fôlego para investir em sistemas e consultorias especializadas, mas pequenos e médios empresários do setor podem enfrentar dificuldades. O risco, segundo analistas, é que parte do custo adicional seja repassada ao consumidor, em um mercado altamente sensível a preços.
“Nosso maior desafio é absorver parte desses custos sem repassá-los integralmente ao consumidor. Em um setor que lida com saúde, preço acessível não é apenas competitividade, é responsabilidade social”, afirma Ricardo Henrique.
A expectativa é de que, no médio e longo prazo, o setor se beneficie da simplificação tributária, mas o período de transição exigirá planejamento financeiro e eficiência operacional. Para empresários do ramo, a lição é clara: quem se antecipar às mudanças poderá transformar a obrigação em vantagem competitiva.
“As novas regras mostram que não dá mais para pensar em farmácia apenas como ponto de venda. Precisamos de tecnologia para rastrear medicamentos, organizar tributos e, ao mesmo tempo, oferecer novos serviços de saúde dentro da loja”, explica o empresário.
Uma coisa é certa: a reforma tributária será um divisor de águas para o setor, e adaptar-se é indispensável.
