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icone de categorias Notícias icone de data de publicação 4 de maio de 2012.

Abbott ajusta-se ao gosto local em países emergentes

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Fonte: Valor Econômico

Ao se preparar para virar uma empresa de produtos de consumo, a farmacêutica americana Abbott Laboratories está apostando no açafrão-da-índia para realizar suas ambições nos mercados emergentes. E no cominho e na pimenta também.

A Abbott, que este ano vai desmembrar sua divisão de 124 anos de remédios baseados em pesquisas, está mudando seu foco de medicamentos inovadores como o antiartrítico Humira, que é vendido a um preço alto nos mercados desenvolvidos, para produtos mais básicos como os suplementos alimentares e medicamentos genéricos que podem ser bem-sucedidos em lugares como a Índia, a China e o Vietnã.

O maior negócio da Abbott em faturamento será o de alimentos, que movimenta US$ 6 bilhões e inclui a fórmula infantil Similac, seguida dos de remédios genéricos, aparelhos vasculares e testes de diagnóstico. A Abbott estima que só a divisão de alimentos chegará a US$ 10 bilhões até 2015, sendo que US$ 4 bilhões virão de mercados emergentes. Uma maneira pela qual a Abbott, que é sediada em Park, no Estado americano de Illinois, diz que vai acelerar o crescimento desses produtos nos mercados emergentes é injetando neles um toque local.

"Nós vamos ajustar essas divisões muito mais sob medida para as vontades do mercado," disse o diretor-presidente Miles D. White. Historicamente, as companhias multinacionais interessadas em aumentar sua presença nos países em desenvolvimento "agiram como exportadores", disse White, vendendo produtos americanos no exterior. Mas "em muito desses mercados emergentes, você tem que se colocar por inteiro lá".

Um exemplo da sua estratégia é que a unidade de alimentos da Abbott vai estabelecer uma parceria com a farmacêutica indiana Biocon Ltd., com o objetivo de desenvolver produtos com um apelo local. Kiran Mazumdar-Shaw, diretora-presidente da Biocon, disse que a Abbott pode expandir sua atuação na Índia produzindo bebidas nutricionais que misturam ciência com remédios locais – o açafrão-da-índia é reverenciado no país por suas propriedades medicinais.

Um produto que a Abbott afirma que pode emergir do seu contrato de cinco anos com a unidade Syngene da Biocon é um suplemento para diabéticos – uma população em crescimento na Índia – que controlaria picos de glicose e viria em sabores como jal-jeera, um refrigerante indiano feito com cominho e pimenta.

Estratégia semelhante se aplica ao Brasil, onde a Abbott vende, por exemplo, a bebida reidratante para crianças Pedialyte sabor guaraná, que não está disponível nos Estados Unidos. O produto é um dos itens com os quais a Abbott pretende dobrar seu faturamento no país para US$ 1 bilhão em 2015.

Essa adaptação ao gosto local é uma lição que algumas companhias de produtos de consumo aprenderam no passado: a Procter & Gamble, por exemplo, vende Pringles de páprica apimentada na Hungria. Mas as divisões nutricionais vêm demorando para acompanhar essas iniciativas, disse Kaushik Ramakrishnan Shankar, um analista da consultoria de marketing Frost & Sullivan, na cidade indiana de Chenai. "Você precisa trazer sabor local para qualquer produto alimentar", disse ele.

Esse foco local é parte de uma estratégia mais ampla da Abbott de transplantar seu portfólio de produtos básicos e baratos para mercados novos, para ajudar a substituir o crescimento de itens caros com o Humira, cujas vendas podem beirar os US$ 9 bilhões por ano.

A medida que as companhias de produtos medicinais procuram crescer fora das estagnadas economias do mundo desenvolvido, elas estão se dedicando cada vez mais a mudar suas operações de marketing e manufatura para ajustá-las a esses mercados, disse Kevin Davies, diretor da RBC Capital Markets nos Estados Unidos para investimento bancário no setor de saúde. Neles, inovações médicas não geram os mesmos preços altos que em países ricos, então as empresas têm que se concentrar nas suas operações básicas para vender produtos de margem baixa para "o mercado de massa sem prêmios nos preços", disse ele.

Há quem questione se a Abbott e outras companhias serão capazes de aproveitar todo o potencial dos mercados em desenvolvimento. A presença da Abbott em países emergentes foi impulsionada por duas aquisições que ela fez em 2010, das fabricantes de genéricos Solvay e Piramal, da Índia, por um total de US$ 10 bilhões.

Mas esse gasto inicial pode limitar a capacidade da Abbott de crescer através de futuras aquisições, disseram analistas, uma tática crucial para se expandir no exterior. A Abbott também tentou comprar empresas de alimentação em 2010, mas negócios na Índia e na China não se concretizaram. Agora, disse White, a estratégia da Abbott será baseada no crescimento orgânico.


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