Anvisa enfrenta liminares contra resolução

Valor Econômico

Para Dirceu Raposo de Mello, presidente da Anvisa, o consumidor tem de receber informação sobre os medicamentos

Uma queda de braço entre a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e as redes de farmácia promete esquentar a briga no setor de medicamentos OTCs (over the counter, em inglês, ou atrás do balcão) e arrastar boa parte da indústria farmacêutica. Às vésperas da implementação da resolução 44 da Anvisa, que proíbe a venda de remédios fora do balcão a partir do dia 18, as principais entidades ligadas às redes de farmácias garantiram, por meio de liminares, que as vendas desses remédios vão continuar livres.

Os fabricantes acompanham a briga de perto. A receita com medicamentos OTC é polpuda e já representa 30% das vendas realizadas pelo varejo, que ficaram em torno de R$ 30 bilhões em 2009.

Amanhã, representantes do setor voltam a se reunir para discutir o assunto na sede da Anvisa. De um lado, as farmácias se defendem, afirmando que a decisão da agência é arbitrária. De outro, os laboratórios farmacêuticos temem a chamada prática da "empurroterapia", ou seja, a troca espontânea de medicamentos feita pelo balconista nas farmácias. No meio desse jogo está a Anvisa, que garante que vai recorrer de todas as liminares impetradas pelas associações ligadas ao varejo e que a implementação da resolução 44 será apenas uma questão de tempo.

Em entrevista ao Valor, o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, defende com unhas e dentes a resolução da agência e afirma que o consumidor precisa saber o que está levando para casa. "Tenho profunda esperança que a Justiça reveja isso [as liminares] e nos dê razão. Se a Anvisa não pode determinar sobre os riscos dos medicamentos, como ordenar esses produtos, minimizar o risco em relação à utilização? Fica complicado", disse Raposo.

Nem todos os medicamentos serão atingidos pela resolução. "Nós já temos um consenso interno da casa, no qual os produtos que são de uso interno e que envolvem alguns princípios ativos, até pelos dados, apresentam potencial de dano maior", afirmou Raposo. Na lista da Anvisa, o presidente da agência cita os anti-inflamatórios e os chamados medicamentos sintomáticos para gripe, por exemplo, que têm paracetamol, ácido acetilsalicílico, dipirona, ibuprofeno, naproxeno. "O que causa o maior transtorno? A substância em si? O que causa transtorno é o paciente ter contato com o produto e não ter a informação para fazer o uso adequado. Por isso que está indo para trás do balcão."

De acordo com Raposo, nem todos os remédios ficam fora do balcão. "Os medicamentos de uso tópico (pomadas, por exemplo) e os fitoterápicos (naturais) podem ser vendidos livremente."

O Valor conversou com laboratórios nacionais e internacionais, que afirmaram estarem atentos à resolução da Anvisa. Nenhuma empresa informou saber qual será o possível impacto da resolução sobre as vendas.

"O assunto está em discussão e muita coisa vai acontecer ainda", afirmou Waldir Eschberger Jr., vice-presidente de mercado da EMS, um dos maiores laboratórios nacionais. O antiácido Gerovitral, produzido pela farmacêutica, dever&aa

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