Brasil começa a produzir vacina contra catapora

Em mais uma iniciativa para estimular a produção nacional de medicamentos e reduzir o déficit da balança comercial do setor da saúde, o Ministério da Saúde e a farmacêutica inglesa GlaxoSmithKline (GSK) firmaram uma parceria para o desenvolvimento produtivo (PDP) para a produção da vacina contra a catapora no país. "Este é mais um passo para ampliar a capacidade de produção nacional", disse ao Valor o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Esse acordo vai permitir a inclusão da vacina tetraviral no Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir do próximo ano. Atualmente, o SUS já oferta a vacina tríplice viral – contra sarampo, caxumba e rubéola. A partir da produção nacional da vacina contra catapora, será possível inclui-la no calendário, por meio da combinação tetraviral. Por meio dessa parceria de transferência de tecnologia, o Brasil vai começar a produzir a vacina contra a catapora, cujo nome científico é varicela, no laboratório público de Biomanguinhos/Fiocruz, no Rio de Janeiro. Até então, esse medicamento era importado e apenas era ofertada em casos de surtos ou campanhas específicas. A aliança entre a GSK e o governo já é antiga. Essa é a sétima parceria entre eles. Juntos, a inglesa e o laboratório nacional já produzem desde 1980 a vacina oral trivalente para a poliomielite; a Haemophilus influenzae tipo b (Hib), desde 1999; a tríplice viral (combinação de sarampo, caxumba e rubéola), desde 2003; a rotavírus, desde 2007, e a pneumocócica conjugada, que protege contra a pneumonia e meningite causada por pneumococo, desde 2010. Neste momento, os dois laboratórios trabalham em pesquisas no combate à dengue. Segundo Padilha, a vacina tetraviral estará disponível a partir de agosto do próximo ano. "No primeiro semestre de cada ano, fazemos a campanha de vacinação com o foco na pólio. No segundo semestre, é a vez da multivacina." A vacina contra catapora, aplicada separadamente, não estava até este ano no calendário básico de imunizações do SUS. Na rede privada, o custo unitário é de R$ 150 a dose. O custo a partir da produção nacional cai para R$ 28,20. O governo federal vai investir R$ 127,3 milhões na compra de 4,5 milhões de doses da vacina tetraviral por ano e que será distribuída pelo SUS. O ministério não informou o valor das importações dessa vacina. Com a tetraviral, serão 25 vacinas ofertadas pelo SUS – 13 delas disponíveis no calendário básico de imunizações. Dessas, 20 são produzidas pelos laboratórios públicos nacionais. Em 2011, foram produzidas 292,3 milhões de doses de vacinas nos laboratórios públicos nacionais, o que representa 94% das doses que o Ministério da Saúde fornece à população, segundo um balanço do ministério. Ao Valor, Padilha afirmou que o ministério tem uma política para estímulo à produção nacional. O Brasil tem um dos maiores programas de vacinação do mundo – 96% dessas vacinas são produzidas no país. O programa de transferência de tecnologia tem permitido a produção nacional de medicamentos. No caso da catapora, a inclusão da vacinação no programa nacional vai gerar uma economia ao sistema público de saúde. A expectativa é de redução de 80% nas hospitalizações, que atingem cerca de 11 mil pessoas por ano. Com a tetraviral, permitirá que uma só dose combata quatro doenças de uma só vez. A varicela é uma infecção altamente transmissível, que pode ocorrer em surtos, atingindo sobretudo crianças e pode estar associada a complicações, como infecções de pele e doenças neurológicas. Entre 2000 e 2011, foram registradas 69.525 internações por catapora no país. Uma média de 11 mil internações por ano. Já o número de óbitos, no mesmo período, foi de 1.426. A média anual é de 160 óbitos, de acordo com dados do ministério. Padilha afirmou que lançou um novo desafio aos laboratórios nacionais e privados para a transferência de tecnologia para a produção de vacinas que combatem a hepatite A e HPV. Contudo, ainda não foram apresentadas propostas. O governo federal também tem atraído a produção nacional de equipamentos de diagnósticos e pode atrair até R$ 500 milhões em investimentos no país. Fonte: Valor Econômico

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