Burocracia da Anvisa dificulta funcionamento de farmácias

Drogarias e farmácias espalhadas por todo o Brasil chegam a esperar cerca de oito meses por autorização de funcionamento emitida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A dificuldade em conseguir o documento deixa os estabelecimentos sujeitos a punições nas esferas administrativa e judicial, e impedidos de comprar medicamentos com seus fornecedores, segundo especialistas ouvidos pelo DCI. A falta da autorização emitida pela instituição acaba sendo um grave problema para os estabelecimentos. Sem ela, as empresas podem sofrer autuações por unidades da vigilância sanitária local e pela própria Anvisa. A relação com os fornecedores também fica comprometida, de acordo o diretor executivo da Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (ABCFarma), Renato Tamarozzi. “Eles não vendem para estes estabelecimentos que estão irregulares, pois podem ser penalizados por efetivar negócios com farmácias e drogarias que não tenham a autorização de funcionamento”, comenta. A instituição deve emitir anualmente uma autorização mediante solicitação prévia das farmácias. Sem o documento as empresas ficam irregulares. A espera, que tem deixado os estabelecimentos sujeitos a punições, chega a até um ano para algumas empresas que a ABCFarma representa. “O que era para ser um procedimento simples não é, embora a autorização seja um documento exigido desde a criação da Anvisa, há 15 anos. As farmácias e drogarias não conseguem obter a regularidade solicitada eletronicamente, mesmo com inúmeras normas que visavam corrigir e tornar a expedição do documento rápida”, disse Tamarozzi. Segundo ele, a autorização da Anvisa é mais um dos tantos outros documentos que se somam a estrutura burocrática sobre as atividades produtivas. “Ainda que seja necessária por se tratar de uma proteção para o consumidor, a autorização não pode travar o funcionamento das empresas. E é o que tem acontecido”, afirma o executivo. Procedimentos A Anvisa criou no ano passado a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 17/2013, para tornar a concessão de Autorização de Funcionamento Eletrônica (AFE) e Autorização Especial (AE) para farmácias e drogarias mais ágil e eliminar atrasos na renovação. O trâmite para concessão e renovação passou a ser totalmente informatizado, dispensado o envio de papel em meio físico. Embora o intuito da Resolução tenha sido deixar as regras mais claras e objetivas além de simplificar e agilizar o processo de trabalho com a exclusão da possibilidade de protocolos manuais. Para a ABCFarma o sistema é falho e muitos estabelecimentos não conseguem concluir o lançamento das informações necessárias para emissão da renovação. “Muitas empresas tem conseguido na Justiça o direito de solicitar a renovação por meio de papel. Sem a discussão judicial todas ficam obrigadas a solicitar o documento via internet”, comenta o diretor da ABCFarma. A Resolução também estabelece que farmácias e drogarias, ao solicitarem a renovação no prazo estabelecido, terão direito a validação automática. Isso significa que, caso a Anvisa não analise a documentação até o vencimento da autorização vigente, a Autorização de Funcionamento Eletrônica (AFE) e Autorização Especial (AE) serão concedida por pelo menos mais um ano. A AFE é o documento indispensável para o funcionamento de qualquer farmácia ou drogaria. Já a AE se aplica aos estabelecimentos que trabalham com medicamentos sujeitos a controle especial. Tamarozzi explica, entretanto que tanto a renovação automática quanto à analisada pela Agência tem sua validação atrelada a publicação no Diário Oficial da União (DOU), procedimento que segundo ele não tem sido cumprido pela Anvisa. A regulamentação também estabelece que, o prazo para solicitação de renovação deve ser feito entre 60 e 180 dias antes do vencimento da autorização vigente. Os estabelecimentos que cumprirem a regra terão a renovação assegurada. No entanto, a Anvisa ainda poderá indeferir a autorização a qualquer momento caso o resultado na análise da autorização seja insatisfatório. “A Anvisa não está olhando nos 60 dias, atitude que, em tese, automatizaria a regularidade dos estabelecimentos que continuam sem autorização de funcionamento porque a instituição não tem cumprido a formalidade de publicar a renovação no DOU”, acrescenta Tamarozzi. Procurada para comentar a matéria, a Anvisa não atendeu a reportagem até o fechamento dessa edição. Fonte: DCI

Foto de Ascoferj
Ascoferj
A Associação do Comércio Farmacêutico do Estado do Rio de Janeiro (Ascoferj) é uma entidade sem fins lucrativos que atua para defender e preservar os interesses do varejo farmacêutico. No quadro de associados, há farmácias e drogarias independentes, redes de pequeno, médio e grande porte, empresas ligadas ao associativismo e distribuidores de medicamentos e perfumaria. Os associados têm uma série de benefícios e serviços, como assessoria jurídica, cursos de capacitação, consultoria em assuntos regulatórios, descontos e vantagens com parceiros, entre outros. Além disso, a tranquilidade de saber que não se está sozinho, que há com quem contar, principalmente nos momentos de crise. A Ascoferj também atua fortemente junto ao poder público, estreitando relações com o Governo do Estado, prefeituras, deputados, vereadores, secretarias públicas e órgãos reguladores.
Você precisa de ajuda com este assunto?
Receba nossos conteúdos
Assine nossa newsletter e receba em seu e-mail notícias e comunicados importantes sobre o varejo farmacêutico e seu cadastro na Ascoferj.
Receba as principais notícias direto no celular

Veja também os seguintes artigos

Por Sabrina Oliveira Conformidade não é burocracia. É blindagem empresarial. O varejo farmacêutico evoluiu em tecnologia, digitalização e experiência do cliente. No entanto, um ponto...

A recente aprovação do projeto que amplia a possibilidade de venda de medicamentos em supermercados, somada ao avanço das grandes redes, à disputa por preço...

Com a decisão, farmácias, drogarias e distribuidoras de medicamentos não terão que se submeter ao licenciamento ambiental....
Farmacêuticos devem estar presentes no espaço; PL 2.158/23 segue para sanção presidencial....
Imunizante protege contra quatro subtipos do vírus e é indicado para todas as pessoas, salvo contraindicações específicas....
Estabelecimento tradicional da Zona Sul do Rio de Janeiro oferece serviços gratuitos ao público....
Não existem mais artigos relacionados para exibir.

Saiba onde encontrar o número da matrícula

Todo associado, além do CNPJ, possui um número de matrícula que o identifica na Ascoferj. Abaixo, mostramos onde encontrá-lo no boleto bancário. Você vai precisar dele para seguir em frente com a inscrição.

BOLETO BANCÁRIO BRADESCO

Encontre em “Sacador / Avalista”.

boleto bradesco contribuição

BOLETO BANCÁRIO SANTANDER

Encontre em “Sacador/Avalista”.

boleto santander contribuição