CDB, poupança e fundos de investimento

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No sistema financeiro, os bancos exercem o papel de meio de campo. Recebem depósitos daqueles que têm reservas financeiras ou sobras de caixa e emprestam para aqueles que necessitam gastar mais do que o dinheiro que possuem, incluindo pessoas físicas, empresas, governos etc.

Os bancos recebem dois tipos de depósito: à vista e a prazo. O depósito à vista/conta corrente é considerado ativo monetário/dinheiro porque pode ser sacado/gasto a qualquer momento. O depósito a prazo é considerado ativo financeiro porque tem uma data de vencimento. É um recebível contra o banco, não podendo, a rigor, ser sacado a qualquer momento. Em troca dessa indisponibilidade, rende juros pagos pelo banco ao depositante. Os depósitos a prazo mais comuns são conhecidos pelos nomes de Certificado de Depósito Bancário (CDB) e poupança.

O CDB é mais flexível, pois prazo e rendimento são livremente negociados entre banco e depositante. Sobre os rendimentos incidem alíquotas decrescentes de Imposto sobre a Renda (IR) quanto maior for o prazo da aplicação.

Ao contrário, a poupança tem uma única regra de prazo e juros estabelecida pelo governo para todos os bancos. O prazo é de um mês, renovável indefinidamente, e os juros são equivalentes a 75% da taxa SELIC, limitado a 0,5% am + Taxa Referencial (TR). Se o poupador sacar antes de completar um mês, perde os juros daquele período.

Os rendimentos da poupança são isentos de IR até o valor de juros mensal de R$ 250,00. O saldo da poupança não é mais garantido pelo governo, como foi no passado, contra uma eventual quebra do banco, mas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Esse fundo indeniza os depositantes em poupança e CDB, inclusive os depósitos à vista e as letras de crédito, até o limite total de R$ 250 mil por CPF em cada banco.

Outro produto muito usado, mas pouco conhecido, é o Fundo de Investimento (FI), que, tecnicamente, não é depósito, mas um condomínio de investidores administrado pelo banco. A instituição bancária reúne dinheiro dos cotistas/condôminos e compra ativos financeiros em nome deles e de acordo com a política de investimentos estabelecida no regulamento do fundo.

Como o mercado brasileiro tem pouca variedade e pequeno volume de títulos privados, a maioria dos fundos de investimento tem, quase que exclusivamente, títulos públicos em sua carteira de investimentos. Por isso, normalmente, o que diferencia a rentabilidade de um fundo para outro é a taxa de administração cobrada pelo banco. Por exemplo, se os títulos públicos, em média, renderem 6,5% ao ano e o banco cobrar 1% ao ano de taxa de administração, esse fundo hipotético remuneraria o cotista com 5,5% ao ano; se o banco cobrar 2% de taxa de administração, o fundo renderia apenas 4,5% ao ano. Além disso, há incidência do IR pela mesma tabela aplicável aos CDBs. Outros tipos de FI contemplam imóveis, ações e até derivativos em suas carteiras.

Cada tipo de ativo oferece um risco diferente ao investidor. Em alguns casos, existe o risco de patrimônio líquido negativo para o fundo. Nesse caso, os cotistas teriam que repor as perdas do fundo, ou seja, além de perder o dinheiro investido, pagar a conta do prejuízo. Portanto, atenção à política de investimentos! Os bancos/administradores são obrigados a alertar os investidores para esse risco por meio do prospecto do fundo.

 

QUADRO RESUMO
ATIVO RENDIMENTO RISCO DE QUEBRA
CDB Taxa negociada Garantido pelo FGC até o limite de R$ 250 mil por CPF
Poupança 75% da SELIC limitado a 0,5% am + TR
Fundos de investimento Rendimento da carteira de ativos menos as despesas do fundo, incluindo a taxa de administração Risco da carteira, podendo ser necessário cobrir patrimônio líquido negativo do fundo

 

Por Jorge Wilson Alves (Consultor em Finanças Empresariais)

Foto de Viviane Massi
Viviane Massi
Jornalista especializada em Varejo Farmacêutico, área em que atua há 15 anos.
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Uma resposta

  1. Artigo muito esclarecedor, didático e de fácil entendimento.

    Sempre que leio artigos como esse, e percebo o destaque para a importância de conhecer aquilo que está sendo oferecido pelos bancos e os detalhes da operação, automaticamente vejo seriedade no trabalho realizado pelo autor e pela associação.

    Parabéns ao colunista Sr. Jorge.

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