Como transformar perdas da farmácia em lucros

Como transformar perdas da farmácia em lucros
Foto: Anderson Ozawa, CEO da AOzawa Consultoria

Por Anderson Ozawa

No varejo farmacêutico, com cerca de 94 mil lojas espalhadas pelo país, transformar perdas em lucros tem se tornado uma jornada cada vez mais desafiadora. E não apenas por conta da alta competitividade, margens apertadas ou mudanças no comportamento do consumidor, mas também por fatores críticos como o vencimento de medicamentos e o aumento expressivo de furtos, como apontou a 8ª Pesquisa de Perdas no Varejo Brasileiro, elaborada pela Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe).

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O faturamento do varejo farmacêutico avançou 12,7% em 2024, ultrapassando, pela primeira vez, a cifra de R$ 200 bilhões – o montante chegou a R$ 220,9 bilhões, de acordo com indicadores da IQVIA. Mas o resultado poderia ser melhor, não fossem as perdas registradas por muitas redes (a Raia Drogasil informou, pela primeira vez ao mercado, que seu lucro caiu em razão das perdas), o que compromete significativamente a rentabilidade de diversos negócios.

O setor enfrenta um cenário em que as perdas são cada vez mais letais e, se o empresário não olhar para isso com atenção estratégica, pode estar perdendo dinheiro sem perceber. Quatro pontos (nada de novidade, diga-se de passagem, mas por vezes desprezados pelas companhias) têm contribuído para o aumento das perdas e lançam um alerta aos varejistas desse segmento.

1. Vencimento de medicamentos

Medicamentos vencidos significam dinheiro perdido na prateleira. Isso ocorre, principalmente, por falta de controle de giro, compras mal planejadas ou estoque inflado de produtos com baixa saída. O problema é ainda mais sensível quando falamos de medicamentos termolábeis (como o Ozempic), que exigem armazenagem especial e têm validade mais restrita.

2. Aumento de furtos — o novo alerta vermelho

Nos últimos anos, o varejo farmacêutico passou a enfrentar um crescimento expressivo no número de furtos, especialmente de dermocosméticos, produtos de alto valor agregado e medicamentos termolábeis. Isso tem causado perdas significativas, muitas vezes silenciosas. O furto interno também é uma realidade que precisa ser enfrentada com processos, tecnologia e cultura de responsabilidade.

3. Má gestão de estoque na loja

Além dos vencimentos e dos furtos, o excesso de produtos parados e a ruptura nos itens mais vendidos seguem como pontos críticos. O estoque precisa deixar de ser depósito e se tornar um ativo estratégico, alinhado à demanda real do negócio.

4. Desorganização financeira da empresa

A falta de controle sobre custos, margens e fluxo de caixa ainda é uma das causas mais comuns de prejuízos. Sem clareza sobre o que entra, o que sai e o que realmente dá lucro, fica impossível tomar decisões assertivas.

A boa notícia é que é possível remediar esses problemas com uma boa gestão, melhorias nos processos e investimento em tecnologia. Compre baseado em dados reais de vendas, não por impulso comercial, e negocie prazos, bonificações e condições com fornecedores. Use ferramentas de BI (Business Intelligence) para prever sazonalidades e ajustar o mix de produtos.

Quer mais? Utilize sistemas que alertem sobre vencimentos com antecedência, classifique o estoque por curva ABC e foque na rotação rápida. Medicamentos com menor saída devem ser adquiridos sob demanda ou em quantidades reduzidas.

Instale sistemas de monitoramento, câmeras nas gôndolas de dermocosméticos e use etiquetas antifurto nos produtos mais sensíveis. Crie protocolos de conferência interna e rotinas de inventário cego. A prevenção é sempre mais barata que o prejuízo.

O lucro de uma farmácia não está apenas no volume de vendas, mas na qualidade da gestão das perdas. Furtos, vencimentos, má administração de estoque e falta de controle financeiro corroem os resultados — muitas vezes de forma silenciosa.

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Transformar perdas em lucros é possível, mas exige olhar técnico, disciplina de gestão e ações preventivas. E, principalmente, exige que o varejista pare de apagar incêndios e passe a construir uma farmácia eficiente, segura e preparada para crescer com solidez.

Anderson Ozawa é CEO da AOzawa Consultoria, especialista em Prevenção de Perdas e Governança.

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