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Efeito da radiação no organismo pode ser comparado ao de um remédio

Fonte: Agência do Estado

O efeito da radiação no organismo pode ser comparado ao de um remédio. Em pequenas doses, é terapêutico; em altas, pode ser letal. A analogia é da física Kellen Adriana Curci Daros, da Comissão de Proteção Radiológica do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). Ela explica que, em acidentes como o de Fukushima, no Japão, ocorrido em março de 2011, quando alguém é exposto a altas doses de radiação por inalação ou ingestão, existe o risco de desenvolvimento da Síndrome Aguda das Radiações (SAR). Trata-se de uma reação imediata à exposição para a qual só existe tratamento paliativo. De acordo com o médico João Luís Fernandes da Silva, do Hospital Sírio Libanês, esse tipo de efeito mais grave ocorre quando a intensidade da radiação é maior do que 500 centigreis. Se doses menores forem absorvidas, com o decorrer do tempo, podem aparecer tumores secundários da radiação. No caso do acidente de Chernobyl, em 1986, além da morte de 30 trabalhadores da usina, quase 6 mil casos de câncer de tireoide foram detectados em regiões contaminadas. Estudos estimam que, nas décadas seguintes, de 10 mil a 40 mil casos de câncer estariam ligados ao vazamento de material radioativo. Ela observa que, apesar dos efeitos deletérios, a radiação tem grande importância na medicina, possibilitando exames de imagem que vão desde o raio X até a sofisticada tomografia computadorizada por emissão de pósitrons. A radiação também é usada na esterilização de material cirúrgico. Na terapêutica contra o câncer, a radiação também é utilizada para destruir tumores em sessões de radioterapia. Para Kellen, a população leiga ainda tem pouco conhecimento sobre a radiação, o que leva a um medo exagerado de seus efeitos. — A radiação é muito próxima da vida da gente, mas a população não vê. O paciente que está com uma doença crítica, mas que tem cura, deve fazer vários exames conforme o médico considera necessário. O benefício de se curar é muito maior do que os riscos da radiação dos exames. Estudo Contrariando avaliações de que o acidente nuclear de Fukushima não afetaria a saúde da população local, pesquisadores da Universidade de Stanford concluíram que entre 24 e 2,5 mil pessoas provavelmente desenvolverão câncer pelo contato com o material radioativo vazado no desastre. Além disso, entre 15 e 1,3 mil pessoas devem morrer prematuramente em decorrência da doença. A grande maioria dos casos ficará concentrada no Japão, com poucas ocorrências previstas no restante da Ásia e na América do Norte. Para John Ten Hoeve, pesquisador do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental de Stanford, o número de casos no resto do mundo é relativamente baixo e a estimativa serve apenas para "administrar o medo em outros países de que o desastre possa ter tido um alcance mundial".

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