Entenda por que os processos são a solução para a farmácia

Especialista destaca que os manuais de processos precisam estar salvos em ambientes compartilhados, visando à centralização das informações.
Entenda por que os processos são a solução para a farmácia
Foto: Divulgação

No setor do varejo farmacêutico, a falta de padronização é frequentemente confundida com flexibilidade, mas, na prática, costuma resultar em centralização excessiva e ineficiência operacional.

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No programa É de Farmácia, Leandro Curado, especialista com 36 anos de experiência e CEO da Curado Farma, explicou que os processos não são burocracia, mas sim a “receita” indispensável para que uma farmácia prospere sem depender exclusivamente da presença constante do dono ou da memória de funcionários específicos.

A armadilha da centralização e do turnover

Um dos maiores desafios apontados por Curado é a alta rotatividade de funcionários. Sem processos documentados, o conhecimento “sai da empresa” junto com o colaborador, obrigando o gestor a recomeçar o treinamento do zero a cada nova contratação.

Por isso, os manuais de processos podem estar em softwares, aplicativos móveis ou drives compartilhados e devem ser apresentados logo no onboarding (integração) do novo funcionário.

Sinais claros de que uma farmácia carece de organização incluem:

  • Retrabalho e estresse: Conflitos no fechamento do caixa ou da loja e falhas na conferência de mercadorias.

  • Atendimento inconsistente: Quando o cliente recebe tratamentos diferentes dependendo de quem o atende ou do turno em que visita a loja.

  • Falhas de estoque: Problemas na validade dos produtos por não se seguir a regra de que “o primeiro que entra deve ser o primeiro que sai”.

O plano de ação: quatro semanas para organizar a casa

Para farmácias que operam no caos, a recomendação não é tentar mudar tudo de uma vez, mas implementar um processo por semana. Leandro Curado sugere focar em quatro pilares fundamentais:

  1. Abertura e fechamento da loja: Garantir que a operação comece e termine com segurança e organização.
  2. Abertura e fechamento de caixa: Evitar erros financeiros e estresse no final do dia.
  3. Passagem de turno: Utilizar ferramentas simples, como um grupo de WhatsApp, com três perguntas básicas: O que ficou pendente? O que precisa ser reposto? Qual cliente ou receita precisa de atenção?.
  4. Atendimento no Balcão: Estabelecer um roteiro de comunicação que garanta a qualidade sem retirar a espontaneidade da equipe.

Leia também: Por que as farmácias independentes estão fechando no Brasil?

Liberdade com responsabilidade

Curado desmistifica o medo de que processos “engessam” o atendimento. Ele afirma que “processo bem desenhado dá autonomia”, pois define limites claros. Por exemplo, um balconista que sabe exatamente qual margem de desconto pode aplicar ou a quem recorrer para uma liberação rápida tem mais segurança para fechar vendas do que um que precisa ligar para o dono a cada transação.

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