Farmácia não é mercado – Artigo

Renato Ferraz – Correio Braziliense

Há muito as farmácias brasileiras deixaram de ser aquele ambiente sóbrio, com farmacêutico de cabelos grisalhos que inspirava confiança e onde se deveria respirar saúde. Agora, estão cada vez mais parecidas com supermercados, que vendem de tudo. Dando-se o devido desconto à minha nostalgia, uma dúvida: elas podem fazer isso? É correto uma farmácia vender doces, perfumes, sorvetes, carne, chinelos, créditos de telefone celular e até, como já constatou a Anvisa, cerveja? É justo realizar promoções e distribuir brindes? Por sinal, seria comum vender analgésicos fora do balcão, como em bacias de meio de feira? Não, não é. Nada disso é normal.

Por isso, a Anvisa editou normas e regulamentações para disciplinar o comércio dentro dessas, digamos assim, lojas de conveniência. Tudo teria que mudar a partir de fevereiro. Assim, os medicamentos não poderiam mais ficar ao alcance das mãos do usuário, mesmo aqueles que não exigem prescrição médica (o caso dos analgésicos). A ideia é que eles só saiam da loja depois de passar pelo vendedor ou pelo farmacêutico. Para não ser acusado de ingênuo, reconheço que aí tem um quê de sonho: afinal, ainda se vende no país remédios de tarja vermelha sem receita médica. Nesse caso, as drogarias e instituições públicas falham — e falham feio. Mas não dá para cometer erro sob o argumento de que há outros sendo cometidos.

Agora, para não fugir à regra, o caso foi parar na Justiça. Os donos de farmácias alegam que a Anvisa se precipitou, tomando as funções do Legislativo e criando leis. Eu, que raramente elogio um órgão regulador — acho-os pouco comprometidos com os cidadãos —, tenho que reconhecer: é melhor pecar por excesso do que por omissão. Lembremos que estamos no país em que as pessoas mais se automedicam, trazendo sérios transtornos à saúde pública. Por isso, são fracos os argumentos dos donos de farmácia de que as medidas da Anvisa comprometeriam até a possibilidade de descontos e que gerariam desemprego. Tudo, no fim, se acomoda.

O certo é que farmácias e drogarias devem fazer o que elas sabem: vender remédios.

Foto de Ascoferj
Ascoferj
A Associação do Comércio Farmacêutico do Estado do Rio de Janeiro (Ascoferj) é uma entidade sem fins lucrativos que atua para defender e preservar os interesses do varejo farmacêutico. No quadro de associados, há farmácias e drogarias independentes, redes de pequeno, médio e grande porte, empresas ligadas ao associativismo e distribuidores de medicamentos e perfumaria. Os associados têm uma série de benefícios e serviços, como assessoria jurídica, cursos de capacitação, consultoria em assuntos regulatórios, descontos e vantagens com parceiros, entre outros. Além disso, a tranquilidade de saber que não se está sozinho, que há com quem contar, principalmente nos momentos de crise. A Ascoferj também atua fortemente junto ao poder público, estreitando relações com o Governo do Estado, prefeituras, deputados, vereadores, secretarias públicas e órgãos reguladores.
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Saiba onde encontrar o número da matrícula

Todo associado, além do CNPJ, possui um número de matrícula que o identifica na Ascoferj. Abaixo, mostramos onde encontrá-lo no boleto bancário. Você vai precisar dele para seguir em frente com a inscrição.

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