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icone de categorias Notícias icone de data de publicação 13 de março de 2012.

No Brasil, L`Oréal entra no varejo com a Kiehl`s

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Valor Economico

A LOréal Brasil começa o ano com movimentos inéditos na trajetória da subsidiária. Um deles será a entrada no varejo. Vai abrir sete lojas até dezembro e a previsão é de chegar a 50, em quatro anos. As lojas irão vender apenas a linha de luxo Kiehl s, importada dos Estados Unidos.

Com fábricas no país há mais de 50 anos, o grupo francês atua com 23 famílias de produtos no mercado brasileiro, dos quais 95% são produzidos localmente.

Outra novidade é o foco na pesquisa científica da biodiversidade brasileira, com o objetivo de produzir matéria-prima para cosméticos e perfumes. Os estudos serão desenvolvidos no novo centro de pesquisas da LOréal, no Rio, anunciado em dezembro.

"Destinamos R$ 150 milhões apenas para infraestrutura nos próximos dois anos. E [desse total] R$ 70 milhões serão só para o novo centro de pesquisas", diz ao Valor o francês Didier Tisserand, que assumiu a presidência da subsidiária brasileira em setembro. O plano de R$ 150 milhões também considera R$ 40 milhões para ampliar a capacidade de produção das duas fábricas (em São Paulo e no Rio).

O engenheiro, que está há 21 anos na LOréal, é casado com uma ex-colega de trabalho, alemã. O casal tem duas gêmeas inglesas e uma caçula, nascida no Japão. Ele veio do comando da empresa na Espanha. E diz que a transferência ao Brasil foi um misto de definição da matriz e da vontade que alimentava de trabalhar em um dos países que formam os Brics.

"A contribuição do que chamamos de novos mercados [América Latina, Ásia e Europa Oriental] passou de 19% do faturamento, em 2010, para 38% em 2011", diz Tisserand. No mundo, a LOréal cresceu 5,1% em 2011. Nos emergentes, 9,5%. "Na América Latina o crescimento foi de 13,2%", disse.

No Brasil, a empresa cresceu "mais de 10%" e fechou o ano passado com faturamento de R$ 1,8 bilhão. Com a crise na Europa e retração do mercado americano, o Brasil ganhou mais peso no grupo.

Tisserand não aceita provocação quando o tema é concorrência, mas, ao que tudo indica, o grupo francês, com faturamento no ano passado de u20ac 20,3 bilhões, quer crescer em todos os segmentos de produtos de beleza no Brasil. Vai entrar em nichos onde a também francesa LOccitane atua com lojas bonitas e cheirosas. E também vai disputar com as nacionais Natura e O Boticário.

"Queremos ampliar os produtos para o país e para as brasileiras. Impressionante como a mulher brasileira vive a beleza. Elas fazem um movimento com os cabelos, com sensualidade. O cabelo é a principal preocupação da mulher brasileira", diz em bom português, ora com uma ou outra palavra em espanhol e italiano, herança dos idiomas dos países onde trabalhou.

Tisserand já esteve em Porto Alegre e agora vai visitar Recife. "Queremos ver como as mulheres se tratam. Vamos a muitas partes do país, pois aqui as mulheres, dependendo da região, têm gostos diferentes, usam perfumes diferentes", observa.

Ele visitou favelas cariocas e fala, impressionado: "No Complexo do Alemão há 350 salões de beleza, oferecem produtos e técnicas de qualidade", diz, referindo-se ao conjunto de favelas situado na zona norte da capital.

Embora a proposta seja também exportar o que for criado aqui, o centro de pesquisas – sexto no mundo do grupo – vai fundamentalmente desenvolver fórmulas para o mercado local. A previsão é que o centro possa entrar em operação em 2014. Cinquenta especialistas já estão sendo treinados nos laboratórios na sede do grupo, nas fábricas e também em Paris. Quando pronto, vai ter de 150 a 200 pesquisadores, segundo Tisserand.

A fábrica do Rio já tem um laboratório, que desde 2008 cria produtos voltados para o país na área capilar e de desodorantes. Mas o centro de pesquisas vai mais adiante e tem o objetivo de permitir pesquisas avançadas, junto com universidades, em laboratório mais completo com linha capilar e beleza.

Em 2011, a unidade fabril carioca sofreu uma reorganização interna com o objetivo de aumentar a produção de protetores solares. "Uma nova tendência de uso no Brasil que está sendo crescente, uma mudança de mentalidade", destaca Tisserand.

A fábrica está recebendo um novo maquinário, tem capacidade para produzir até 40 milhões de unidades de produtos para cabelo, por ano. O Brasil é o primeiro mercado no ranking da LOréal neste segmento.

Mesmo aumentando a produção, as novas lojas da LOréal terão apenas a linha nova iorquina da Kiehls. Estes produtos são considerado de "luxo acessível", pela LOréal. As embalagens lembram produtos farmacêuticos.

A Kiehls, fundada em 1851, começou em uma farmácia. A empresa era familiar e foi comprada pela LOréal em 2000. O preço médio dos produtos aqui será R$ 79, informa a empresa.

As lojas da marca Kiehls poderão ser franqueadas. Duas já estão em operação em São Paulo, uma no Shopping Iguatemi e outra em Higienópolis. A terceira chega à capital paulista ainda em 2012, no Shopping Morumbi.

Em abril, será aberta a primeira loja no Rio, na sofisticada galeria Fórum Ipanema. Até o final do ano serão inauguradas outras três, no Shopping Leblon, Fashion Mall, Barra Shopping.

Também em 2012 a Kiehls chega à capital mineira (BH Shopping e Shopping Pátio Savassi). Já há lojas no México, na Argentina e no Chile. São 860 no mundo.


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