Novo modelo reduz custo de pesquisa para farmacêuticas

Valor Econômico

Uma onda de fusões e aquisições de grandes companhias farmacêuticas despertou as atenções no segundo trimestre. A compra da Wyeth pela Pfizer, a compra da Merck pela Schering-Plough e o negócio da Genetech com a Roche foram manchetes dos jornais por seu potencial de ajudar as entidades resultantes a reduzirem seus custos e aumentar a fila de lançamentos de medicamentos promissores.

Mas uma série recente de acordos mais discretos, que sinalizam a colaboração em pesquisas e desenvolvimento – em oposição às aquisições -, aponta o caminho do verdadeiro futuro do setor.

A Merck e a AstraZeneca combinaram dois de seus principais produtos em estudo para desenvolver um tratamento inovador contra o câncer, a GlaxoSmithKline (GSK) e a Concert Pharmaceuticals uniram suas carteiras de produtos em desenvolvimento em parte para distribuírem os riscos, e a Pfizer e a GSK combinaram, em uma joint venture, os produtos em desenvolvimento e os já comercializados na área do tratamento contra a AIDS.

Esses acordos representam maneiras novas e promissoras do setor fazer sua máquina de inovações funcionar de uma forma mais eficiente. E eles diferem das estratégias de pesquisas e desenvolvimento de longa data, que se concentravam em gastar mais e inovar mais que a concorrência. As companhias farmacêuticas criavam e desenvolviam medicamentos por conta própria, assumindo todos os riscos e colhendo todas as recompensas. Mas esse modelo está se mostrando insustentável.

Segundo estimativa da consultoria Bain & Co., um fluxo de caixa anual de cerca de US$ 30 bilhões – metade dos US$ 60 bilhões gastos pelo setor em pesquisa e desenvolvimento – vai se evaporar nos próximos quatro anos, na medida em que as patentes de medicamentos de grandes vendagens forem expirando. Isso deixa o desafio claro: os executivos mais experientes das companhias farmacêuticas serão forçados a fazerem mais com menos capital, com pouca experiência específica do setor a ser explorada. Isso, por sua vez, explica a onda de anúncios de grandes fusões, que muitas vezes servem como esforços para preencher filas decrescentes de lançamentos.

Mesmo assim, as fusões normalmente contribuem para uma queda na produtividade das pesquisas e desenvolvimento. Em vez de simplificar e concentrar as pesquisas e desenvolvimento, a administração tende a segurar a maior parte dos medicamentos que estão sendo preparados para lançamento, os ativos físicos e os talentos em pesquisas e desenvolvimento das companhias combinadas – o que torna a tomada de decisões e a alocação de recursos ainda mais difícil. Com os custos de descoberta, desenvolvimento e comercialização de um medicamento hoje superando os US$ 2,2 bilhões, o setor precisa encontrar uma maneira de fornecer um produto inovador a partir de suas linhas coletivas de desenvolvimento.

É aí que entra o modelo da colaboração nas pesquisas e desenvolvimento. Em vez de adquirir recursos, uma solução mais sustentável para a indústria está na união, especialmente do capital intelectual e dos recursos financeiros, cada vez mais limitados.

Ao agrupar efetivamente os ativos de pesquisas dentro de uma área de enfermidades, o setor se beneficia de três maneiras. Primeiro, os sócios tomam decisões de alocação de recursos muito mais cedo e financiam apenas aqueles projetos que as maiores probabilidades de apresentar diferenças reais em termos de resultados médicos.

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