O caminho das pílulas

Folha de São Paulo

Depois dos postos de coleta de material reciclável, pilhas usadas e até de óleo de cozinha, estão ganhando espaço os que recolhem remédios vencidos.

Em São Paulo, duas grandes redes de farmácias e todas as Unidades Básicas de Saúde da capital já aceitam os remédios trazidos pela população. Outros Estados têm iniciativas similares. Mas a criação desses postos é voluntária. Farmácias e hospitais não são obrigados a recolher remédios, nem consumidores são obrigados a levá-los para a coleta.

Essas responsabilidades são alvo de debate. Um grupo de representantes de organizações de defesa do consumidor, governo e indústria discute qual é a melhor forma de fazer o descarte.
Segundo Gustavo Trindade da Silva, chefe da unidade técnica de regulação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), entre 10 mil e 28 mil toneladas de remédios são jogados fora pelos consumidores a cada ano.

Remédios jogados no lixo ou no esgoto, afirma Silva, podem poluir o solo e a água e trazer risco para o ambiente e para as pessoas. Mas muitas cidades não têm incineradores ou aterros adequados para fazer o descarte correto, ainda que a população faça sua parte.

Nos EUA, a FDA (agência que regula remédios) diz que, na ausência de coleta específica, as drogas podem ir para o lixo ou para o esgoto. A agência recomenda que remédios sem tarja preta sejam misturados a borra de café para descaracterizar o produto e evitar seu consumo.

Já drogas que podem causar dependência podem ser jogadas na privada para evitar intoxicações acidentais, segundo a agência.

No Brasil, não há uma determinação desse tipo. Remédios de venda controlada devem ser entregues em locais autorizados pela Anvisa, como postos de saúde e das vigilâncias municipais. O que a Anvisa busca, diz Silva, é tornar viável a instalação de postos de coleta em todos os locais onde o consumidor adquira remédios.

Mas, segundo Sergio Mena Barreto, presidente da Abrafarma (associação de redes de farmácias), a coleta, como é feita hoje, é cara demais. "Só em São Paulo há 16 mil farmácias. É preciso um sistema que atenda todas elas."
O problema do descarte seria menor se as pessoas não guardassem tantos remédios em casa. Esse tema também será discutido pelo grupo reunido pela Anvisa. Uma das causas do acúmulo de remédios, diz Silva, é a dificuldade de implantar o fracionamento de remédios. Os consumidores também precisam evitar a automedicação. Eles gastam mais e expõem sua vida a risco."

Foto de Ascoferj
Ascoferj
A Associação do Comércio Farmacêutico do Estado do Rio de Janeiro (Ascoferj) é uma entidade sem fins lucrativos que atua para defender e preservar os interesses do varejo farmacêutico. No quadro de associados, há farmácias e drogarias independentes, redes de pequeno, médio e grande porte, empresas ligadas ao associativismo e distribuidores de medicamentos e perfumaria. Os associados têm uma série de benefícios e serviços, como assessoria jurídica, cursos de capacitação, consultoria em assuntos regulatórios, descontos e vantagens com parceiros, entre outros. Além disso, a tranquilidade de saber que não se está sozinho, que há com quem contar, principalmente nos momentos de crise. A Ascoferj também atua fortemente junto ao poder público, estreitando relações com o Governo do Estado, prefeituras, deputados, vereadores, secretarias públicas e órgãos reguladores.
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