Parceria quer desenvolver vacina contra a dengue

Valor Econômico

Acordo de cooperação firmado ontem pelo Ministério da Saúde e a multinacional inglesa GlaxoSmithKline (GSK) prevê aportes de R$ 92,5 milhões para a pesquisa e produção, no futuro, de vacinas contra a dengue, malária, além do aperfeiçoamento na produção da vacina contra febre amarela. Será a primeira vez que um grande laboratório internacional desenvolverá pesquisas em conjunto com o complexo farmacêutico de Biomanguinhos, para fabricar vacinas contra doenças tropicais.

De acordo com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o acontecimento é um "marco", já que, ao invés da simples transferência tecnológica, como ocorreu em outras situações, o laboratório brasileiro participará integralmente do processo desde a fase de pesquisa da matéria-prima. "Nossa prioridade, sem dúvida, será encontrar uma vacina contra a dengue, uma doença de difícil prevenção no país". No caso da malária, ele ressaltou que esta é uma doença que assola não só o Brasil, mas vastas extensões da África e Ásia.

Temporão considera o acordo assinado ontem emblemático, pois normalmente, os grandes laboratórios utilizam os hospitais universitários brasileiros para testes de seus produtos. O próprio processo de transferência tecnológica, tão comum neste tipo de parceria, prevê a entrega de um produto pronto por um fabricante internacional e, pouco a pouco, o Brasil passa a incorporar a tecnologia. "No caso desta PPP com o GSK, nossos técnicos também serão detentores da tecnologia inicial", comemorou.

O ministro também prometeu que até o final deste ano o país estará produzindo a vacina contra o vírus H1N1 no laboratório do Butantã, em São Paulo. Será o primeiro país da América Latina, além dos Estados Unidos, com capacidade de produzir este tipo de medicamento. Ele disse que a produção será facilitada pelo fato do instituto paulista já deter a tecnologia de fabricação da vacina contra o vírus Influenza (gripe tradicional). "Estamos prevendo a produção de aproximadamente 30 milhões de doses. Mas, a exemplo de outros países, não teremos condições de vacinar toda a população", avisou Temporão.

Outro acordo assinado ontem prevê a transferência de tecnologia para o Brasil para a produção de vacinas para pneumococos, que provocam bronquite, pneumonia e otite. Com esta parceria, esta vacina, que custa R$ 500 pela iniciativa privada, passará a estar disponível no Programa Nacional de Imunizações a partir do próximo ano. Dados do Ministério da Saúde mostram que, a cada ano, o pneumococo responde por 1,5 mil casos de meningite, 20 mil hospitalizações por pneumonia e mais de 3 milhões de casos de otite média aguda. "São dez a quinze mil óbitos por ano", resumiu Temporão.

Com a transferência de tecnologia, Temporão espera que o Brasil consiga produzir esta vacina em um prazo máximo de sete anos.

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