Política industrial ajuda fabricação de biossimilares

Para os laboratórios que encararam o desafio de construir fábricas de medicamentos biossimilares – feitos a partir de células vivas – o apoio do governo é fundamental para tirar projetos do papel. A garantia de venda ao Sistema Único de Saúde é o principal atrativo. "Estamos começando do zero. Sem uma política industrial que sinalize demanda, não seria possível", admite Odnir Finotti, presidente-executivo da Bionovis. Resultado da união de quatro produtoras brasileiras de medicamentos (EMS, Ache, Hypermarcas e União Química), a Bionovis vai produzir medicamentos biotecnológicos com foco em doenças degenerativas e autoimunes. A primeira etapa do projeto prevê investimentos de R$ 540 milhões em cinco anos, incluindo a construção de uma fábrica no Estado do Rio de Janeiro. Desse total, R$ 200 milhões virão de aportes das empresas sócias, e R$ 340 milhões serão captados no mercado, incluindo linhas de fomento à inovação e crédito subsidiado. O plano de negócio completo – com tempo estimado em dez anos – totaliza R$ 1,3 bilhão em investimentos "O projeto é ambicioso, mas acreditamos que o momento é favorável", diz Finotti. A instalação da fábrica será feita com a aquisição e transferência de tecnologia para a produção de biossimilares. "É o jeito mais rápido de dominar o meio de produção. A partir disso, vamos ter capacidade de criar medicamentos e inovar de fato", afirma o executivo. Ele explica que a tecnologia já existe, o Brasil ficou mais de 30 anos sem investir na modernização da produção de medicamentos e não seria inteligente tentar "inventar" uma rota brasileira. "A prioridade é entender como funciona, internalizar as técnicas e desenvolver pesquisas a partir do conhecimento acumulado", comenta. Enquanto põe em pé uma fábrica moderna para ter produção 100% brasileira em até três anos, a Bionovis já investe em pesquisa e desenvolvimento de medicamentos. "O processo de inovação é demorado, temos de fazer tudo junto". Entre as verbas para financiar os estudos, estão R$ 11,8 milhões de subvenção econômica da Finep. A Libbs Farmacêutica também toca um projeto de porte em biotecnologia. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 250,8 milhões para a empresa, que pretende construir uma fábrica de biofármacos com foco na produção de medicamentos biotecnológicos para tratamento de câncer e doenças autoimunes. O projeto também envolve aquisição e transferência de tecnologia para o Brasil. "Além do domínio do processo de fabricação, o país ganha com a formação de mão de obra. Estamos participando da criação de uma nova cadeia produtiva, que vai promover um salto na biotecnologia brasileira", destaca Márcia Martini Bueno, diretora de Relações Institucional da Libbs. Ela diz que a tecnologia também será transferida para os laboratórios públicos, ampliando o alcance a medicamentos modernos e mais eficazes. "Será possível produzir no Brasil remédios para as mais diferentes patologias, cuja administração não é coberta pelo sistema de saúde". A pesquisa e desenvolvimento de medicamentos contam com R$ 10 milhões em subvenção da Finep. Fonte: Valor Econômico 

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