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icone de categorias Notícias icone de data de publicação 1 de outubro de 2009.

Reforma psiquiátrica pode levar mais de 15 anos

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Portal Abril

Se o ritmo atual for mantido, serão necessários mais de 15 anos para acabar com os manicômios no Brasil. Bandeira da reforma psiquiátrica, a substituição de leitos em hospitais especializados por tratamento ambulatorial está sendo feita no País, mas de forma muito mais lenta do que a considerada ideal. Atualmente, há no País 208 hospitais especializados em distúrbios psiquiátricos, que atendem 35,4 mil pessoas. O número já foi bem maior: em 2002, 51 mil pacientes estavam hospitalizados nessas instituições.

“É preciso mais agilidade. Enquanto ouvimos o discurso de que é preciso prudência na transição, uma legião de pacientes vive em condições precárias e é submetida a tratamento desumano e desrespeitada em sua dignidade”, diz a secretária executiva da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (Renila), Nelma Melo.

“Mantida esta toada, há o risco de a reforma psiquiátrica nunca ser concluída”, alerta Nelma. O receio é que o País passe a ter um sistema misto, com hospitais psiquiátricos convivendo com Centros de Atendimento Psicossocial (Caps), serviços abertos em que pacientes recebem tratamento com vários especialistas.

“Esse modelo é idealizado por donos de hospitais e por uma classe de profissionais”, avalia Marcus Vinícius de Oliveira, professor de Psicologia da Universidade Federal da Bahia e integrante do Conselho Federal de Psicologia. Em conjunto com a Renila, o colegiado promove hoje, em Brasília, uma marcha para pedir mais rapidez na substituição de leitos hospitalares por serviços multidisciplinares.

Ministério
O coordenador do Programa de Saúde Mental do ministério, Pedro Gabriel Delgado, afirma que a conta do movimento social está certa. Mas diz que o ritmo de redução anual de 2,5 mil leitos psiquiátricos é bastante significativo e não será alterado tão cedo. “De um lado, movimentos sociais afirmam que o processo deveria ser mais rápido. Mas, ao mesmo tempo, outros grupos pressionam para que essa mudança não seja feita – dizem até que há falta de leitos psiquiátricos. O gestor tem de procurar uma solução de equilíbrio.”


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