Remédios vão ficar mais caros a partir do dia 31

Abafarma

Apesar de o reajuste de preços dos medicamentos passar a valer a partir do próximo dia 31, o consumidor que pesquisar tende a ganhar, já que a diferença de valores entre farmácias supera os 81%. Com isso, o aumento dos remédios — cujo percentual ainda não foi divulgado — tende a só chegar às prateleiras em junho ou julho, quando os atuais estoques terminarem.

Cerca de 20 mil medicamentos — de analgésicos a remédios de uso contínuo — estão entre os que poderão ficar mais caros a partir do dia 31. Autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), o reajuste será estabelecido com base na inflação acumulada entre março de 2011 e fevereiro de 2012 e nos índices de produtividade da indústria. Pelas regras da Cmed, os novos preços valem por um ano, ou seja, até março de 2013.
Segundo algumas estimativas do setor, o índice, que será divulgado nas próximas semanas, deve ficar, no máximo, em torno de 5% — abaixo dos 6,01% aprovados no ano passado.

Historicamente, o reajuste dos medicamentos tem ficado abaixo da inflação oficial (o IPCA). Nossa expectativa é de que o reajuste deste ano seja menor do que o do ano passado. De qualquer maneira, os novos preços vão chegando aos poucos e boa parte deles só deve mesmo chegar ao consumidor em junho ou julho. Afinal, as farmácias mantêm os preços dos estoques atuais — afirma Nelson Mussolini, vice-presidente-executivo do Sindicato da Indústria de
Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma).

Segundo Mussolini, os estoques das farmácias não são o único entrave para que as redes alterem os preços dos remédios:— A concorrência acirrada na indústria e no varejo ajudam a segurar os preços. E não se pode esquecer dos genéricos, que representam 30% das vendas, em volume, do setor.
Para economizar, consumidor deve pesquisar. Levantamento feito pelo GLOBO em oito farmácias (Drogasmil, DrogaRaia, Citifarma, Max, Tamoio, Onofre, Pacheco e Pop) mostra que a diferença de preço de um mesmo produto pode chegar a quase 82%. É o caso da caixinha do Scaflam (100mg), que custa R$ 27,71 na Drogasmil e R$ 15,24 na Max — 81,88% de diferença. Apesar de os preços serem tabelados pelo governo, as drogarias costumam dar descontos e, assim, acirram a disputa pelo consumidor.

Claudia Cavalheiro, gerente da farmácia Mundo da Saúde, no Centro, diz que não vai reajustar os preços dos medicamentos imediatamente. Enquanto os novos preços não chegam, há ofertas na loja — como o Ossotrat, que de R$ 51,23 sai por R$ 24.

— Normalmente dou um prazo de dois a três meses para aumentar os preços. Já faço um estoque dos medicamentos que têm mais saída antes do aumento, e só mudo quando compro com o novo preço. Às vezes o próprio laboratório segura o aumento, outros oferecem descontos: uns dão desconto de 3%, outros são mais agressivos e chegam a 10%. Só os de uso contínuo não costumam entrar em promoção.

Faltando pouco para a nova tabela valer, especialistas recomendam aos consumidores planejamento. Se o orçamento permitir, vale comprar aqueles medicamentos de uso contínuo, observando o prazo de validade. Também vale rearrumar a farmacinha de casa, comprando um ou outro medicamento que é usado pela família em caso de mal-estar. Mas, para economizar de verdade, é importante pesquisar. E, nesse momento, vale listar os preços daquela farmácia perto de casa, das grandes redes e das drogarias virtuais.

O auxiliar de serviços gerais Daniel Gonçalves não sabia do aumento da tabela dos medicamentos, mas está sempre atento aos melhores preços:— Costumo pesquisar os preços e sempre compro genéricos, uma boa opção e bem mais em conta. Geralmente compro analgésicos e antigases, além de repelente e fraldas para a minha filha de nove meses.

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