Tendências para o varejo em 2025: o fim do déjà vu

Farmácias devem focar nos clientes, oferecendo uma experiência única e equilibrando a coleta e a análise de dados com transparência.
Tendências para o varejo em 2025: o fim do déjà vu
Foto: Elói Assis, diretor-executivo de produtos para Varejo da TOTVS

Já teve aquele déjà vu no contexto do varejo? Aquela sensação de “já vi isso antes…”? Pois é, a repetição de fórmulas ou estratégias para atrair o consumidor tem ficado cada vez mais comum, o que pode acabar tendo um efeito rebote: afastar o consumidor. O varejo brasileiro está em constante transformação, impulsionado por mudanças tecnológicas e comportamentais que exigem novas abordagens. Marcado por um crescimento contínuo, o setor registrou uma alta de 4,7% em 2024, sendo um dos maiores índices desde 2012. Mas, para seguir se desenvolvendo, precisamos olhar para além do óbvio. Não se trata apenas de adotar novas tecnologias, mas de integrá-las de forma inteligente e estratégica, criando valor real para o consumidor e para o negócio.

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Por exemplo, um dos maiores desafios é a hiperpersonalização. Tem sido assunto de vários fóruns e debates do setor varejista. Mas aqui preciso assumir uma postura provocadora e trazer a questão: não estamos exagerando um pouco? Na minha opinião, é hora de pisar um pouco no freio e ir com calma. Com tantas informações específicas do consumidor, as marcas podem assumir um papel praticamente de stalkers dos clientes, de uma maneira meio “creepy”, como se soubessem todos os passos, todos os gostos e ouvissem todas as conversas para oferecer o produto minutos depois em um anúncio online, deixando de lado a privacidade do consumidor.

Queremos, sim, oferecer uma experiência única, mas sem parecermos invasivos. Na minha visão, a chave é equilibrar a coleta e a análise de dados com transparência e respeito à privacidade das pessoas. Assistentes virtuais baseadas em inteligência artificial, como personal shoppers, podem ser um caminho para a resposta, já que oferecem recomendações personalizadas de acordo com o que o próprio consumidor quer saber, respondendo dúvidas e guiando-o em uma jornada de compra única, aprendendo com as interações e respeitando seus limites – sem parecer invasivo.

Ao mesmo tempo que digo para tomar cuidado com o uso agressivo dos dados das pessoas, digo também: quem não está usando dados para a gestão do varejo, lamento informar, está atrasado. Analisar histórico de vendas ou prever comportamentos é o mínimo, que já deveria ser o básico no dia a dia do varejo. Agora, retail data é o nome do jogo! Imagine programar ações com precisão cirúrgica, baseadas em dados concretos, sabendo quando e como impactar o público-alvo. Isso não é apenas marketing, é ciência! Essa inteligência de dados oferece às indústrias a chance de avaliar a eficácia de suas campanhas e direcionar seus investimentos em marketing no varejo com mais precisão, enquanto os varejistas conseguem ampliar suas vendas e explorar novas fontes de receita.

Leia também: Como usar o ChatGPT na sua farmácia

Olhando adiante, para mim, criatividade será essencial, especialmente no uso da inteligência artificial. A sensação de “vuja de” (antítese de déjà vu) será o novo norte! Em um cenário saturado de informações e experiências similares, o encantamento e a novidade se tornam um diferencial competitivo. A “Era da Imaginação”, como aponta a consultoria global de varejo e consumo WGSN, exigirá que as marcas explorem o potencial criativo das IAs para gerar experiências únicas e memoráveis. A criação de artes e conteúdos com o auxílio da inteligência artificial se tornará cada vez mais comum, mas é fundamental que essa inovação seja acompanhada de uma reflexão ética sobre seus impactos e implicações.

Outro ponto de atenção para o setor, que não pode ser ignorado, é a economia prateada – a turma dos sessentões! Falamos tanto, nos últimos tempos, da Geração Z, mas, segundo o IBGE, a população com 60 anos ou mais representará mais de um terço dos brasileiros em 2070. Pode parecer longe, mas hoje essa parcela da população já movimenta R$ 2 trilhões no Brasil. Ou seja, é uma oportunidade imensa para o varejo adaptar ou mesmo criar produtos, serviços e experiências para atender às necessidades e aos desejos desse público – que tem poder de compra –, criando oportunidades de negócio e inclusão.

E, por fim, a loja física se reinventa para se tornar um “parque de diversões”, a própria essência do retailtainment, estratégia que combina entretenimento com varejo. Longe de ser obsoleto, o espaço físico se torna um palco para experiências imersivas, multissensoriais e geradoras de entretenimento. A integração entre o mundo físico e o digital, criando uma experiência omnicanal completa, será fundamental para construir preferência de marca e fomentar o engajamento comunitário, estreitando o relacionamento com o cliente. A loja física do futuro será um espaço de interação, descoberta e encantamento, complementando e enriquecendo a jornada do consumidor no ambiente online.

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Resumindo: o futuro do varejo é inovar, mas sempre com foco no cliente. A combinação de tecnologia, criatividade e propósito é essencial e representa o diferencial das marcas que desejam se destacar. Não é apenas sobre vender, mas sobre criar histórias, fomentar relacionamentos e gerar impacto positivo. Essa é a transformação – e o desafio – que temos no radar, para que o varejo brasileiro ganhe ainda mais protagonismo.

Texto de Elói Assis

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