Vale um cibazol?

Em tempos de inversão de valores, é hora de reforçar os corretos.

Revista da Farmácia (ed.193):

Artigo_Fernando Gaspar_foto_crédito divulgação
Fernando Gaspar, consultor e mestre em Administração.

Perplexos, assistimos a uma sucessão de diálogos grampeados de políticos, em que a inversão de valores que tomou conta do País se mostra desnuda. “Fulano não vale um Cibazol”, em referência a um antigo medicamento muito popular no Nordeste e bem baratinho. Noutro diálogo, uma velha raposa comenta que “Sicrano estará dificultando o trabalho”.

Numa empresa privada, esses diálogos certamente se refeririam aos profissionais de baixo desempenho, porém, na kafkaniana realidade em que se encontra o país, tais manifestações se dirigiam a funcionários públicos que cumpriam seu trabalho republicano, contrariando os interesses dos políticos gravados.

É oportuno, portanto, lembrar como seus funcionários são avaliados e como é importante que, nesse momento histórico que o País vive, sejam passados a eles alguns dos valores éticos que a “República de Curitiba” está mostrando para todo o Brasil. Lembrá-los de que todos são iguais diante da lei ou diante das normas da empresa e que fontes de privilégios injustificados servem apenas para criar muros e segregacionismo entre os funcionários, além de gerar insatisfação e impactar o clima organizacional negativamente.

As avaliações e as justificativas se dão em cima de bases concretas. Acusações ou afirmações que não podem ser respaldadas por dados concretos terão seu valor questionado mais cedo ou mais tarde. “Achismos” e neologismos da vez são meros exercícios de imaginação e podem se mostrar desastrosos para os processos decisórios.

A punição exemplar tem efeito simbólico sobre toda a organização, seja criminosa, como a que está sendo desmantelada, seja numa microempresa. Porém, tome cuidado para não eleger apenas um boi de piranha e deixar o resto do rebanho solto, como é sugerido numa das antológicas gravações de um senador.

Todo esquema tem um elo fraco da cadeia, tendo sido personificado na Lava Jato sob a forma de uma secretária que cuidava de todos os pagamentos de “acarajés” e que estava há anos sem tirar férias. Desagradável falar nisso, mas necessário: perdas em varejo fazem parte do negócio e, se ocorrem de forma sistêmica, é porque têm um esquema minimamente estruturado. Procure o elo frágil para puxar o fio da meada.

Podemos utilizar a tragicômica situação que estamos vivendo como uma oportunidade de valorizar os valores corretos numa sociedade em que tantas vezes o errado é o certo. Não é necessário ser um gênio da intuição para perceber que a operação Lava Jato tem óbvios efeitos educativos no imaginário da população, quebrando paradigmas profundamente entranhados, como a crença na impunidade dos poderosos e a antiga ineficácia da justiça diante do topo da pirâmide social.

Não custa nada pegar uma carona nesse momento histórico pelo qual estamos passando e reforçar os valores que fazem a diferença numa empresa: ética do trabalho, valorização do desempenho e igualdade de todos diante das normas estabelecidas.

Comunicação Ascoferj

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