Virei gerente, e agora?

Ser o melhor vendedor não é motivo suficiente para ser promovido a cargo de liderança. Tem que ter o perfil certo.

Revista da Farmácia – ed. 198:

carreira

Será uma boa ideia promover o melhor vendedor da farmácia ao cargo de gerente? Muitas empresas acham que sim e, por acreditarem que essa única razão justifica todos os indicativos contrários, acabam cometendo o erro de colocar na função uma pessoa que não atende ao perfil ou está despreparada.

Esse é o tipo de decisão que pode fazer uma pequena empresa perder um bom vendedor e ganhar um gerente medíocre, comprometendo as metas e as vendas. Não é por ter resultados acima da média que o melhor vendedor da equipe vai ter a habilidade necessária para chefiar. Excelentes balconistas perderam o rumo num cargo de gerência. Ou deixaram de lado as novas atribuições para continuar vendendo, o que também não é a melhor opção.

Para o consultor em Varejo, Fernando Gaspar, não se deve confundir bom relacionamento com o dono com perfil para ser gerente. “O empresário precisa se certificar de que o candidato tem habilidade interpessoal para lidar com a equipe e o necessário conhecimento técnico do negócio. Porém, cabe uma ressalva: um bom profissional de varejo de outra área pode, mediante treinamento, se tornar um ótimo gerente de farmácia, pois a lógica de liderança, uma vez em prática, é aplicável em qualquer área”, orienta Gaspar, que ministra uma palestra intitulada “Virei gente, e agora?”.

Casos em que bons vendedores foram promovidos a gerentes e não se saíram bem na função são mais comuns do que se pensa. “Em geral, não é culpa deles. É responsabilidade das empresas, que colocam os funcionários nos cargos de liderança sem o menor preparo, deixando-os liderar na base do ‘aprender errando’. Isso costuma ter um custo altíssimo, tanto humano quanto comercial”, destaca Gaspar.

Na palestra, o consultor capacita os participantes para que exerçam atividade de liderança por meio da conscientização sobre as principais competências comportamentais exigidas. Além disso, aborda questões inerentes à liderança que podem fazer diferença no sucesso à frente de equipes, tais como: técnicas de persuasão e mobilização de equipes, símbolos e ritos de poder, utilização de indicadores de desempenho de curto e médio prazo, técnicas de feedback e negociação, entre outras.

“O grande dilema é o bom relacionamento interpessoal com os colegas de equipe e, ao mesmo tempo, saber cobrar e exigir desempenho. Essa é uma combinação difícil de acertar”, destaca o consultor.

Segundo Gaspar, o mercado varejista farmacêutico está um pouco defasado em relação a outros segmentos, onde já existe uma cultura mais agressiva de monitoramento diário de desempenho. “Como exemplo, podemos citar o modelo McDonald’s e também as lojas de departamento, que exigem do gerente uma maior capacidade analítica, ou seja, a figura do gerente que só abre e fecha loja é cada vez mais obsoleta”, alerta o consultor.

 

Liderança participativa

O momento atual vivido pelo varejo farmacêutico exige uma liderança participativa, capaz de comunicar claramente os valores da farmácia ou drogaria aos clientes internos – funcionários – e externos – consumidores. “Trata-se de um período de reposicionamento, em que as empresas do setor, por meio de planejamentos estratégicos arrojados, se apresentam a um mercado cada vez mais competitivo e a uma clientela exigente e esclarecida, que valoriza o atendimento ético e humanizado”, avalia Lucia Gadelha, consultora em Recursos Humanos e Gestão de Pessoas.

No entanto, tudo isso precisa ser internalizado pela equipe, para que todos estejam realmente comprometidos em comunicar corretamente a identidade da farmácia. Para que os funcionários consigam ter produtividade em suas respectivas funções, é importante que eles sejam estimulados e capacitados continuamente. Para isso, a figura do gerente líder é fundamental.

“O gerente do passado, que, para ganhar a responsabilidade de ‘abrir e fechar a loja’, necessitava apenas ‘ser de confiança’, foi substituído pelo líder, incentivador, treinador e referência dos valores da empresa”, pontua Lucia. Além das tarefas operacionais, precisa ser um estrategista, gestor alinhado com o planejamento estratégico da empresa e formador de equipe.

“Deve também canalizar o conhecimento e a motivação dos funcionários para atingir e superar os resultados esperados pela direção da empresa, estabelecendo uma relação de parceria com os colaboradores, estimulando o crescimento profissional e o autodesenvolvimento e mantendo o ambiente organizacional favorável à troca de experiências e ao processo contínuo de aprendizado”, finaliza Lucia.

 

Habilidades comportamentais do gerente

– Relacionamento com a equipe: capacidade de interagir com todos os níveis hierárquicos da drogaria, de forma a obter contribuição para o alcance dos resultados por meio da sinergia e do trabalho em equipe.

– Ser um líder motivado: otimismo e pensamento positivo diante das diversas situações, contagiando e energizando positivamente a equipe, para o alcance do desempenho esperado.

– Determinação para o alcance dos resultados de vendas: empenho constante na busca e no alcance das metas e dos objetivos propostos pela direção da empresa, sem se deixar esmorecer por obstáculos, buscando constantemente alternativas para o alcance do resultado.

– Tomada de decisão: capacidade de análise, proposição de alternativas e resolução dos problemas de forma ágil e objetiva, visando ao alcance dos resultados esperados.

– Realizar e monitorar o planejamento: capacidade em estabelecer sequência para execução do seu trabalho, delegando continuamente as tarefas de acordo com a importância, prioridade e/ou grau de dificuldade das tarefas envolvidas, cumprindo os prazos estabelecidos e acompanhando a equipe.

– Ter percepção: capacidade de responder de maneira ágil às demandas da drogaria, assim como perceber as oportunidades de implantação de projetos que possibilitem o crescimento e desempenho nas vendas.

– Comunicar-se com clareza: capacidade para transmitir e expressar as informações de forma assertiva e objetiva, seja de forma presencial, seja por e-mail ou telefone, dando feedbacks e garantindo que os colaboradores compreendam sem ruídos ou distorções.

– Ser uma referência como líder: impressão positiva causada em função da postura profissional, apresentação pessoal, relacionamento, padrão ético de comportamento e autopercepção.

– Ter visão global: capacidade de projetar metas, resultados e situações futuras, capacitando a equipe para responder adequadamente às demandas e mudanças que ocorrem no segmento farmacêutico, assim como capacidade para perceber e avaliar o impacto de ações isoladas sobre os resultados globais da farmácia ou drogaria.

 Comunicação Ascoferj

Você precisa de ajuda com este assunto?
Receba nossos conteúdos
Assine nossa newsletter e receba em seu e-mail notícias e comunicados importantes sobre o varejo farmacêutico e seu cadastro na Ascoferj.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Receba as principais notícias direto no celular

Veja também os seguintes artigos

Por Sabrina Oliveira Conformidade não é burocracia. É blindagem empresarial. O varejo farmacêutico evoluiu em tecnologia, digitalização e experiência do cliente. No entanto, um ponto...

A recente aprovação do projeto que amplia a possibilidade de venda de medicamentos em supermercados, somada ao avanço das grandes redes, à disputa por preço...

Com a decisão, farmácias, drogarias e distribuidoras de medicamentos não terão que se submeter ao licenciamento ambiental....
Farmacêuticos devem estar presentes no espaço; PL 2.158/23 segue para sanção presidencial....
Imunizante protege contra quatro subtipos do vírus e é indicado para todas as pessoas, salvo contraindicações específicas....
Estabelecimento tradicional da Zona Sul do Rio de Janeiro oferece serviços gratuitos ao público....
Não existem mais artigos relacionados para exibir.

Saiba onde encontrar o número da matrícula

Todo associado, além do CNPJ, possui um número de matrícula que o identifica na Ascoferj. Abaixo, mostramos onde encontrá-lo no boleto bancário. Você vai precisar dele para seguir em frente com a inscrição.

BOLETO BANCÁRIO BRADESCO

Encontre em “Sacador / Avalista”.

boleto bradesco contribuição

BOLETO BANCÁRIO SANTANDER

Encontre em “Sacador/Avalista”.

boleto santander contribuição