Bayer busca crescer na área de remédios

O Estado de São Paulo

Embora a Bayer seja conhecida pelos brasileiros pelos medicamentos, mais da metade da receita de R$ 3,9 bilhões da companhia no País vem do setor de defensivos agrícolas. A companhia pretende aproveitar a ascensão da classe C para aumentar a fatia da área médica em seu faturamento. O objetivo, diz o presidente da Bayer no Brasil, Theo van der Loo, é equalizar a importância das divisões – remédios, agricultura e materiais – em um terço.

A busca desse equilíbrio, afirma o executivo, reduzirá a volatilidade dos negócios da empresa alemã no Brasil. "Na agricultura, ficamos reféns do preço das commodities. Quando está bom, vamos bem. Do contrário, somos afetados", diz Van der Loo. No ano passado, a Bayer teve desempenho modesto no Brasil: o faturamento subiu somente 2% sobre 2009. O resultado ficou bem abaixo do desempenho geral da economia, que teve expansão de 7,5% em 2010.

O executivo, que assumiu a direção da operação brasileira em janeiro deste ano, tem expectativas mais otimistas para este ano, prevendo uma expansão das operações nacionais entre 8% e 10%. Embora o Brasil seja considerado hoje na Bayer o mercado número dois em termos de crescimento – atrás somente da China -, a companhia é conservadora em relação a investimentos. Os R$ 170 milhões previstos para 2011 superam o total aplicado no ano passado em 6% – uma evolução em linha com a inflação.

Segundo o executivo, a companhia é cuidadosa ao definir investimentos no País por causa dos altos custos do mercado brasileiro. Por causa do real valorizado, os custos de abrir uma unidade no País seriam equivalentes aos europeus – um entrave para investimentos mais significativos em produção local. No entanto, apesar dos resultados de 2010, o potencial de vendas no Brasil é visto com otimismo: a receita local deve passar a auferida no Japão nos próximos dois anos, fazendo do País o quarto maior mercado mundial para a Bayer.

O presidente da filial brasileira admite que uma aposta mais forte no setor de medicamentos esbarra na ascensão dos medicamentos genéricos, que beneficiou as indústrias locais, que hoje detêm 50% do mercado brasileiro. Em resposta a esse fenômeno, gigantes estrangeiras como a Sanofi-Aventis e a Pfizer fizeram aquisições no País.

Focada em remédios de alto valor agregado, a Bayer não descarta algum movimento de aquisição para ganhar parte do mercado mais popular – no entanto, Van der Loo diz que não há decisão tomada. Por enquanto, a empresa se dedica a lançamentos em áreas como oncologia, oftalmologia e saúde da mulher, que abocanham outro mercado cobiçado pelas farmacêuticas: as compras governamentais.

O efeito dos genéricos no segmento de medicamentos ajudou também empresas de médio porte, como a paulista Blanver. A empresa, conhecida pela fabricação de insumos para indústrias farmacêuticas, também passou a terceirizar medicamentos completos para indústrias de médio e grande porte graças à demanda gerada pelos genéricos.

A consolidação desse novo segmento deve gerar um crescimento de 50% no faturamento da empresa neste ano, para R$ 200 milhões, segundo com Sergio Frangioni, diretor da Blanver. "Não concorremos com os nossos clientes, mas somos corresponsáveis pelos medicamentos", diz Flangioni, explicando a natureza do negócio.

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