Falta de crédito já reduz venda de medicamentos ao varejo

Gazeta Mercantil

Em novembro, pela primeira vez em doze meses, o setor farmacêutico registrou um recuo nas vendas. Os números ainda não foram contabilizados completamente, mas já há uma retração no movimento, segundo o secretário-geral da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip), Sálvio Di Girólamo. "Pela primeira vez no ano o mercado decresceu em volume, como reflexo da crise de crédito", diz Girólamo.

Ele explica que os grandes atacadistas estão mais criteriosos na hora de conceder crédito ao varejo, especialmente aos pequenos negociantes. "Além disso, eles também estão reduzindo seus estoques". Como a indústria farmacêutica vende a crédito e o atacado repassa até o varejo, é possível que os consumidores já comecem a sentir no bolso a redução de crédito para os medicamentos. De acordo com o representante da indústria, é possível que haja ainda desabastecimento de algumas farmácias cujo crédito esteja comprometido.

A direção da indústria de medicamentos isentos de prescrição, os chamados MIPs – segmento que responde por cerca de 30% do mercado farmacêutico, com faturamento de R$ 7,5 bilhões ao ano – esteve reunida ontem com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, para reivindicar normas mais rigorosas em relação às cópias de embalagens de remédios e mudanças nas regras de preços para os medicamentos sem prescrição. "A falta de uma regra para cópias tem afastado muitos investimentos da indústria pela falta de segurança num mercado extremamente competitivo", diz Girólamo.

Segundo ele, quando uma empresa copia a outra, a vítima tem de entrar com uma ação contra a outra que pode durar anos. Enquanto isso, os medicamentos são vendidos normalmente. "Queremos uma norma que atue mais rapidamente, retirando essas cópias do mercado porque neste segmento as margens são muito reduzidas e tempo faz diferença", acrescenta. Outra questão diz respeito à mudança de regras para precificação dos MIPs. "Controle de preços deve ser aplicado a oligopólios e não é o que acontece neste setor, onde temos mais de 60 mil marcas concorrendo em algumas categorias", acrescenta Girólamo. Ele explica que há ainda confusão de estabelecer preços para produtos indicados, por exemplo, para dor e febre. "Muitas vezes, o mesmo produto serve para as duas coisas, mas a forma de cálculo do preço é diferente", acrescenta.

Propaganda
Os MIPs ainda lutam bravamente contra as mudanças das regras das propagandas que devem limitar os anúncios, especialmente na TV e no rádio. Há mais de dois anos sendo discutida, a mudança de regras se arrasta até por falta de objetividade, segundo representantes do setor. "Quando se começou a discutir eram mais de 45 advertências que deveriam ser incluídas na propaganda, ou seja, quase 13 segundos num anúncio de 15 segundos, o que inviabiliza qualquer iniciativa", explica o diretor da divisão de MIPs da Nycomed, David Zimath. Segundo ele, o setor entende que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), quer intensificar o consumo responsável de remédios. "Mas não é na mídia que se vai explicar tudo. As explicações precisam estar na bu

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Ascoferj
A Associação do Comércio Farmacêutico do Estado do Rio de Janeiro (Ascoferj) é uma entidade sem fins lucrativos que atua para defender e preservar os interesses do varejo farmacêutico. No quadro de associados, há farmácias e drogarias independentes, redes de pequeno, médio e grande porte, empresas ligadas ao associativismo e distribuidores de medicamentos e perfumaria. Os associados têm uma série de benefícios e serviços, como assessoria jurídica, cursos de capacitação, consultoria em assuntos regulatórios, descontos e vantagens com parceiros, entre outros. Além disso, a tranquilidade de saber que não se está sozinho, que há com quem contar, principalmente nos momentos de crise. A Ascoferj também atua fortemente junto ao poder público, estreitando relações com o Governo do Estado, prefeituras, deputados, vereadores, secretarias públicas e órgãos reguladores.
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