Justiça impede agência de punir rádio e TV

Folha de S. Paulo

Por decisão da Justiça Federal de Brasília, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está impedida de punir veículos de comunicação que descumpram a resolução que prevê regras mais rígidas para a publicidade de medicamentos no país. As novas normas entraram em vigor anteontem.
A medida é resultado de uma ação movida pela Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), que representa 2.000 empresas.

Na sentença, o juiz José Márcio da Silveira e Silva, da 7ª Vara da Justiça Federal, apoia-se no parecer da AGU (Advocacia Geral da União), que se posicionou pela suspensão ou revogação da resolução.

Na avaliação da AGU, a norma da Anvisa é inconstitucional porque a competência para legislar sobre propaganda e publicidade é privativa do Congresso Nacional.
Entre outras determinações, a resolução da Anvisa proíbe que artistas façam sugestões sobre o uso de remédios no rádio e na TV, além de restringir propagandas de remédios em alguns programas de TV.
"Antes mesmo do parecer do Conar, nós já havíamos nos posicionado de que a Anvisa não tem competência para legislar sobre essa matéria. O parecer só veio corroborar", afirma o assessor jurídico da Abert, Rodolfo Machado Moura.

O diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, disse que a agência irá recorrer da decisão da Justiça e nega ilegalidade na resolução. Afirma que ela se sustenta em um parecer favorável feito por uma procuradoria da Anvisa.

Ontem, no Rio, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defendeu a resolução. "Fiquei surpreso [com a decisão da AGU]. A portaria foi discutida em audiência pública. Não me parece razoável que artistas e atletas vendam medicamentos pela TV ou pelo rádio. Isso infringe o bom senso. Vou conversar com a AGU para ver como podemos resolver."

Segundo Rodolfo Moura, algumas agências de propaganda já tinham adequado suas peças publicitárias às novas normas da Anvisa, mas a orientação da Abert é que, a partir da decisão judicial, elas não precisam mais sofrer mudanças. "A propaganda de remédio já está suficientemente regulamentada."
O pesquisador Álvaro Nascimento, do Departamento de Ciências Sociais da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), discorda. Para ele, nem a polêmica resolução da Anvisa é suficiente para evitar que o usuário brasileiro se exponha ao risco de intoxicações por medicamentos.

Em sua dissertação de mestrado, que se transformou no livro "Ao Persistirem os Sintomas, o Médico Deverá Ser Consultado – Isto É Regulação?", ele analisa outras legislações no exterior e diz que a brasileira é uma das mais permissivas.
Na Europa, por exemplo, as peças publicitárias de remédios precisam passar por anuência prévia da agência regulatória de remédios. Essa foi uma das propostas que as entidades de defesa do consumidor e de vigilância de remédios sugeriram à Anvisa, durante consulta pública sobre a nova resolução. A sugestão não foi acatada.

Foto de Ascoferj
Ascoferj
A Associação do Comércio Farmacêutico do Estado do Rio de Janeiro (Ascoferj) é uma entidade sem fins lucrativos que atua para defender e preservar os interesses do varejo farmacêutico. No quadro de associados, há farmácias e drogarias independentes, redes de pequeno, médio e grande porte, empresas ligadas ao associativismo e distribuidores de medicamentos e perfumaria. Os associados têm uma série de benefícios e serviços, como assessoria jurídica, cursos de capacitação, consultoria em assuntos regulatórios, descontos e vantagens com parceiros, entre outros. Além disso, a tranquilidade de saber que não se está sozinho, que há com quem contar, principalmente nos momentos de crise. A Ascoferj também atua fortemente junto ao poder público, estreitando relações com o Governo do Estado, prefeituras, deputados, vereadores, secretarias públicas e órgãos reguladores.
Você precisa de ajuda com este assunto?
Receba as principais notícias direto no celular

Veja também os seguintes artigos

Convenção Conceito Farma debate gestão, inovação e desafios do varejo farmacêutico
Reforma Tributária, escala 5x2 e estratégias para o desenvolvimento das drogarias estarão entre os temas apresentados no encontro....
Popularização da semaglutida exige maior precisão na gestão das farmácias
Expansão dos tratamentos contínuos reforça a necessidade de prever a demanda, evitar rupturas de estoque e acompanhar a jornada dos pacientes, analisa TOTVS....
GLP-1 movimenta R$ 4 bilhões no primeiro trimestre e impulsiona subcategorias nas farmácias
Enquanto as subcategorias de protetor solar e produtos para cabelo, corpo e rosto crescem, medicamentos antidiabéticos orais e lancetas registram retração....
SimTax promove treinamento para o setor farmacêutico sobre Reforma Tributária
Capacitação discutirá os impactos da Reforma e apresentará estratégias aplicáveis para auxiliar na tomada de decisões durante a transição de 2026 para 2027....
Drogaria Tamoio anuncia oportunidades para subgerente farmacêutico
Rede de farmácias oferece benefícios atrativos e jornada de trabalho na escala 5x2....
NR-1 e saúde mental: o que realmente muda para as farmácias (e por que isso vai muito além das multas)

Por Rafaeli Wingler “A NR-1 não é sobre pessoas frágeis. É sobre ambientes que podem estar adoecendo pessoas”. Talvez essa seja a forma mais simples...

Não existem mais artigos relacionados para exibir.

Saiba onde encontrar o número da matrícula

Todo associado, além do CNPJ, possui um número de matrícula que o identifica na Ascoferj. Abaixo, mostramos onde encontrá-lo no boleto bancário. Você vai precisar dele para seguir em frente com a inscrição.

BOLETO BANCÁRIO BRADESCO

Encontre em “Sacador / Avalista”.

boleto bradesco contribuição

BOLETO BANCÁRIO SANTANDER

Encontre em “Sacador/Avalista”.

boleto santander contribuição