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icone de categorias Notícias icone de data de publicação 18 de janeiro de 2017.

Num beco em saída

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Revista da Farmácia – ed. 196:

21/09/2011 - Colunista Gilberto Braga - Foto de Fernando Souza / Ag. O Dia ECONOMIA JORNAL ENTREVISTA
Gilberto Braga, professor de Finanças do Ibmec.

O Estado do Rio está doente e parece não haver pílula milagrosa para curá-lo. De acordo com o professor de Finanças do Ibmec/RJ, Gilberto Braga, uma crise semelhante só ocorreu no governo Saturnino Braga, que decretou falência em 1988. Para o especialista, não se vislumbram, no momento, soluções que combinem medidas políticas, administrativas e econômicas que sejam consensuais. Por isso, o Estado pode entrar em colapso. E como ficam as empresas no meio disso? Aquelas que dependem da segurança pública e da regularidade do pagamento dos salários do funcionalismo estadual precisam ficar atentas. Por sorte, o varejo farmacêutico ainda se mantém ileso à crise, mas não pode baixar a guarda. Nesta entrevista, Braga fala dessas e de outras questões, como o futuro governo de Marcelo Crivella. Leia a seguir.

 

Revista da Farmácia: Como o senhor analisa a atual crise política e financeira vivida pelo Estado do Rio de Janeiro?

Gilberto Braga: Uma crise sem precedentes, semelhante à que o município do Rio sofreu no governo do prefeito Saturnino Braga, que, em 1988, chegou a decretar falência. O governo estadual não consegue pagar a folha de salários regular, tendo que realizar parcelamentos, nem fazer o custeio das demais rubricas necessárias ao seu funcionamento básico. A situação é crítica porque não há perspectivas de curto prazo e não se vislumbram, no momento, soluções que combinem medidas políticas, administrativas e econômicas que sejam consensuais. As discussões sobre a crise do Rio lembram a cena de um cabo de guerra, só que a corda tem três pontas e cada grupo puxa para um lado.

 

RF: O Estado tem capacidade de se recuperar? Como o senhor avalia as propostas do atual governador, entre elas, o aumento do desconto previdenciário de 11% para 14%; o reajuste da tarifa do Bilhete Único de R$ 6,50 para R$ 7,50; o desconto de 30% do salário de aposentados; e a redução de 20 para 12 secretarias?

Braga: Sem uma mudança estrutural que busque novas formas de desenvolvimento e de geração de receitas, o Estado não sobreviverá, exceto se houver alguma mudança no cenário internacional que faça o preço do petróleo disparar para perto de US$ 100 o barril e comece a jorrar royalties no cofre estadual. As propostas do governo para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) são de curto prazo e se prestam a uma tentativa de fechar as contas, de compatibilizar o que seria comparável a equilibrar o capital de giro, mas estão longe de se constituírem em uma solução definitiva. Além disso, as propostas foram todas desfiguradas pelas votações dos deputados estaduais e por liminares judiciais, o que torna até mesmo a capacidade de gestão do curto prazo totalmente incerta.

 

RF: De que forma essa crise do Estado impacta a economia, em geral, e os empresários, em específico?

Braga: Estávamos vivendo em lua de mel até o fim dos jogos olímpicos, em que a crise, apesar de presente, não causava estragos generalizados, apenas setorialmente. Com o fim da Rio 2016, caiu a ficha: a crise se alastrou pelo Estado e trouxe junto o recrudescimento da violência, principalmente na capital. Não há como descolar o funcionamento da economia da crise do governo. O consumo agregado é afetado pelos problemas estaduais e pela crise geral política e econômica. Os empresários percebem a deterioração ao verem os resultados dos seus negócios despencarem de forma quase que generalizada. Muitos já quebraram e outros estão pessimistas com relação ao futuro. A crise, no Rio, afeta a todos.

 

RF: Como é administrar um negócio em um Estado falido? Quais os desafios para as empresas?

Braga: Encontrar um nicho para trabalhar que seja menos suscetível à crise. Buscar fidelizar a clientela com ações criativas que façam com que percebam que o produto vendido ou serviço prestado é diferenciado e tem mais atrativos que o da concorrência. Não basta mais ter preço baixo, porque a crise força a uma redução generalizada e a competição acaba vulgarizando tudo. Por isso, ter preço é fundamental, mas não precisa ser o menor preço, mas ter aquele produto ou serviço que ofereça ao cliente uma sensação de que ele está pagando menos ou pouco e levando mais ou muito.

 

RF: Ainda vale a pena empreender no Rio de Janeiro? O que o senhor diria para alguém que deseja abrir um negócio por aqui?

Braga: Como se sabe, toda crise também abre oportunidades, mas é preciso ter perspicácia para identificá-las e iniciativa e coragem para a aproveitar o momento. Por exemplo, uma conhecida minha largou um emprego formal para abrir um negócio de food truck. Está trabalhando o dobro do que trabalhava como empregada com carteira assinada, porque além de servir no caminhão à noite, durante o dia, tem que providenciar e organizar os ingredientes que serão usados no preparo da comida e buscar cerveja artesanal. Mas, ao mesmo tempo, está muito mais feliz e ganhando mais dinheiro como dona do seu próprio negócio.

 

RF: Qual segmento da economia tem sofrido mais?

Braga: Os bares e restaurantes de uma forma geral, porque as pessoas estão evitando sair de casa para não gastar e economizar. A prestação de serviços pessoais também, desde a faxineira ao dentista, porque você passa a fazer as coisas na sua casa ou adiar tratamentos de saúde e cuidados estéticos. O comércio de forma generalizada também sangra, porque as pessoas evitam comprar roupas e utensílios. Todos os segmentos que dependem de crédito também são fortemente atingidos, porque as pessoas evitam se endividar com o consumo. O ramo imobiliário está assistindo a uma pequena redução nos valores dos aluguéis e dos imóveis para compra e venda nos últimos anos.

 

RF: Apesar da crise, o varejo farmacêutico continua crescendo. O senhor acha que, no Estado do Rio, esse segmento corre algum risco se a economia entrar em colapso por causa da má administração dos recursos públicos?

Braga: Não, porque se trata de um dos poucos setores que é estimulado pela crise. Além disso, em 2017, entrará em vigor uma nova regulamentação que permitirá que muitos medicamentos que hoje precisam de receita médica passarão a ser comercializados livremente. Irão para as prateleiras e passarão a ser do autosserviço. Só esse movimento deve gerar um crescimento nas vendas da ordem de 30%, garantindo um aumento orgânico da receita para todo o setor farmacêutico, do laboratório às farmácias.

 

RF: A partir de 2017, o município do Rio terá uma prefeitura com perfil totalmente diferente do atual. O que esperar do governo do Crivella?

Braga: Um governo que vai querer imprimir um estilo próprio e diferente do governo Eduardo Paes. Trata-se da primeira experiência executiva associada à Igreja Universal e tudo indica que vai se tentar fazer do Rio uma vitrine para projetos políticos maiores. Por isso tudo, há uma expectativa relativamente positiva, de uma gestão técnica e sem interferência direta das questões religiosas. No entanto, ainda será uma aposta e ninguém tem convicção firme sobre a eficácia da equipe e do sucesso da gestão.

 

RF: Quais as projeções para a economia da cidade do Rio sob o novo governo?

Braga: O município do Rio tem, atualmente, uma situação econômica bem melhor do que a do Estado, concentrada na prestação de serviços em geral, no turismo, no entretenimento e na tecnologia. Os efeitos do legado deixado pelos Jogos Olímpicos, em termos de avanços, ainda não ocorreram e é possível que ocorram no próximo governo, basta a questão da violência ser encaminhada de melhor forma e não destruir tudo o que foi construído nos últimos anos.

 

RF: Como o varejo pode se blindar, considerando que ainda não se sabe como será o futuro governo de fato?

Braga: É difícil fazer uma recomendação que não seja especulativa, mas arriscaria dizer que aspectos como segurança pública e regularidade do pagamento dos salários do funcionalismo estadual devem merecer atenção. Se o negócio sofrer influência direta desses fatores, é melhor se precaver. Fora isso, a receita de precaução é a de sempre: cortar custos e melhorar a produtividade.

Comunicação Ascoferj



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