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icone de categorias Notícias icone de data de publicação 27 de março de 2009.

Sanofi acerta a compra da Medley

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O Estado de São Paulo

O grupo farmacêutico francês Sanofi-Aventis assinou carta de intenções para comprar o laboratório brasileiro Medley. A operação é avaliada em R$ 1,5 bilhão, mas apenas R$ 500 milhões irão para o bolso dos acionistas, segundo fontes próximas às negociações. Controlada pelo empresário Alexandre Negrão, a Medley acumula uma dívida de cerca de R$ 1 bilhão. Contratualmente, o negócio tem de ser fechado nos próximos quinze dias. A sua conclusão depende, porém, de uma autorização da matriz. Procuradas, Sanofi e Medley não quiseram comentar o assunto.

Se for concretizada, a venda pode representar a salvação para a Medley, que até 2007 vinha apresentando crescimento constante e viu esse ritmo se interromper em 2008, segundo fontes do mercado. Um dos maiores laboratórios farmacêuticos do País, que disputa a liderança na venda de genéricos, a Medley vive uma situação financeira complicada. Boa parte da sua dívida é de curto prazo. Com a crise, que secou o crédito nos bancos médios, principais financiadores do laboratório, a situação piorou muito. "O setor enxerga que a Medley chegou ao limite. Se não conseguir vender para a Sanofi, a saída pode ser uma recuperação judicial", diz uma fonte.

Fontes do mercado dizem que a empresa tem tido dificuldades para pagar fornecedores e não produz medicamentos há alguns meses. Isso porque seu estoque nas distribuidoras corresponde a vários meses de produção. "Ela começou a vender mais como forma de aumentar o faturamento e assim conseguir mais crédito. Para isso, dava grandes descontos e prazos de 200 a 240 dias", explica um executivo do setor.

No fim do ano passado, deu férias coletivas aos funcionários da fábrica. Eles voltaram após o carnaval, mas a linha de produção ainda estaria parada, de acordo com pessoas que acompanham a empresa. O laboratório também vem perdendo profissionais de primeira linha nos últimos meses.

MERCADO
Até o fim do ano passado, o laboratório brasileiro Aché ainda estava no páreo para comprar a Medley. Teria desistido, segundo fontes, porque o acionista da Medley não concordou em abater a dívida do valor total. "Os acionistas do Aché não estavam dispostos a pagar o valor pedido", disse a fonte.

Embora seja líder na venda de medicamentos no País – com faturamento de 601 milhões em 2008 (cerca de R$ 1,8 bilhão) -, os franceses da Sanofi ainda têm uma atuação tímida no concorrido mercado de genéricos, com a marca Winthrop. A Medley é considerada uma marca forte e respeitada e tem uma das fábricas mais modernas de genéricos do Brasil.

No mundo, o grupo francês é um gigante com receitas de 27 bilhões (cerca de R$ 82 bilhões) e cerca de 100 mil funcionários. Nos seus relatórios financeiros, tem destacado a importância de Brasil, China, Rússia, Índia e México, que ela considera "mercados do amanhã". Juntos, esses países crescem acima de dois dígitos e já representam 23,7% do faturamento. O Brasil é o maior mercado da Sanofi entre os emergentes. Mas, embora viesse crescendo acima de 10%, no ano passado avançou somente 1,4%.

NÚMEROS
R$ 1,5 bilhão
É o valor da operação, mas apenas R$ 500 milhões devem ficar com os acionistas


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