Shire chega ao Brasil para brigar com Novartis e J&J

Brasil Econômico

Cerca de 10 milhões de brasileiros sofrem de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), um problema neurobiológico que surge na infância e costuma acompanhar o indivíduo por toda a vida. Os principais transtornos são desatenção, inquietude e impulsividade e podem ser tratados com medicamentos. Hoje, a venda de drogas nesse mercado movimenta por volta de US$ 30 milhões no Brasil e está concentrada nas mãos de duas gigantes do ramo farmacêutico: a suíça Novartis e a americana Janssen-Cilag, da Johnson&Johnson.

A partir do segundo trimestre, uma terceira concorrente chega às prateleiras das drogarias. Trata-se da Shire, farmacêutica anglo-americana que encontra-se em fase final de definição do lançamento do Vyvanse no Brasil, uma droga de nova geração que faz uso da substância dimesilato de lisdexanfetamina (a concorrência usa o metilfenidato, que é administrado há décadas) e promete longa duração.

“Em vez dos medicamentos de curta duração, que exigem que o paciente tome de três a quatro comprimidos por dia, o Venvanse (nome que será atribuído ao produto no Brasil) baseia-se no uso de um comprimido e tem duração de 13 horas”, afirma Claudio Coracini, gerente-geral da Shire Specialty Pharma para o Brasil e o México.

O Venvanse será indicado para crianças de seis a 12 anos com déficit de atenção e hiperatividade. O próximo passo da farmacêutica é entrar com pedido de autorização para comercialização da droga para adolescentes e adultos. Nos Estados Unidos e no Canadá, a droga já é prescrita para pacientes destas idades.

No momento, contudo, Coracini encontra-se em fase de discussão de preço do Venvanse com a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), da Anvisa, e espera definir o valor até o final do mês.

Para lançar a divisão de Specialty Pharma no Brasil, em junho do ano passado, e colocar o Venvanse no mercado, a Shire está investindo R$ 30 milhões no país. Este valor inclui a contratação de uma equipe de 30 funcionários, que inclui Coracini e profissionais de áreas como financeira e regulatória.

O potencial deste mercado é enorme. Estima-se que apenas 150 mil pacientes foram diagnosticados e medicados corretamente no Brasil, dentre um potencial de 10 milhões de brasileiros com o distúrbio.

A entrada da Shire na disputa pelos atuais e novos pacientes deve movimentar este mercado. Em 2007, ano em que o Venvanse foi lançado, a imprensa internacional especializada comentava que a Shire acumulava 10% do mercado mundial do distúrbio e avançava nas vendas.

“A entrada de um novo concorrente no mercado aumenta o conhecimento da doença por parte do paciente, o que é bom porque a taxa dos que se tratam está bem abaixo da prevalência do transtorno”, afirma Marcelo Gomes, gerente-médico da Novartis, que comercializa a Ritalina de curta e longa duração.

O tempo de ação do medicamento, explica Gomes, vai depender de cada caso. E ressalta que a duração mais curta também é interessante para evitar insônia e falta de apetite.

Camila Finzi, diretora da unidade de negócios de especialidades da Novartis, garante que a estratégia da farmacêutica não vai mudar por conta da entrada da Shire no país. “Vamos continuar ressaltando nosso produto, que tem 50% do mercado, está à venda desde 1955 e tem mais de 200 estudos clínicos que comprovam sua eficácia.”

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Ascoferj
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