Unesp testa célula-tronco no pulmão 

Folha de S. Paulo

Terapia experimental, que será estudada em pessoas com enfisema, regenerou tecido de camundongos
 
Quatro pacientes receberão a infusão de células-tronco; resultados prometem, mas é cedo para saber se haverá melhora, dizem médicos
 
Pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista) iniciam, na próxima semana, uma terapia inédita com células-tronco para tratar pacientes com DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), em especial aqueles com enfisema pulmonar avançado.
 
Segundo o médico geneticista João Tadeu Ribeiro Paes, principal autor do estudo, a Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) – órgão que regulamenta pesquisas- autorizou a pesquisa em humanos na semana passada.
 
A DPOC pode se manifestar como bronquite ou enfisema. Este último é uma doença crônica causada em 90% dos casos pelo cigarro, que gera inflamação nos brônquios e destrói os alvéolos e o tecido pulmonar. Com o tempo, o paciente perde a capacidade de respirar normalmente, pois a troca gasosa fica debilitada. Estima-se que de 6% a 7% da população com mais de 40 anos tenha o problema. Não há cura.
 
Segundo Paes, a universidade já selecionou os quatro pacientes que participarão do tratamento experimental – cujos resultados já foram testados em camundongos, que apresentaram regeneração do tecido pulmonar e melhoria da capacidade respiratória.
 
Por ser uma técnica experimental, a primeira etapa do estudo terá como objetivo principal saber se a terapia não prejudicará a saúde do paciente. "Por isso foram selecionadas pessoas que já não têm possibilidades de tratamento", diz Paes.
Os primeiros voluntários assinarão um termo de consentimento. Eles serão acompanhados durante um ano e os primeiros resultados devem aparecer em quatro meses.
 
O procedimento

Durante três dias, os pacientes receberão medicamentos específicos para estimular a produção de células-tronco na medula óssea. Depois desse período, em procedimento cirúrgico e com anestesia local, cerca de 150 ml de células da medula serão colhidos através de uma punção na altura da bacia.
 
Essas células serão processadas em laboratório e injetadas no voluntário por meio de uma veia periférica do braço. "Por um mecanismo ainda não explicado pela medicina, essas células devem migrar para o tecido lesado. A gente imagina que o tecido doente libere alguma substância química que atraia essas células-tronco para o local", explica Paes.
 
A expectativa dos pesquisadores é que o tecido pulmonar se regenere e estabilize o avanço da doença. Outra hipótese é que a técnica melhore a função pulmonar – assim como aconteceu com os camundongos.
 
"Não estamos propondo um milagre nem a cura da doença e não queremos criar falsas expectativas, mas a nossa esperança é que as células-tronco impeçam a evolução da doença. Sei que ainda estamos em uma fronteira, mas pode ser que isso se torne uma terapia clínica definitiva, em que o paciente com a doença recebe aplicações de células-tronco", diz Paes.
 
Cautela

O pneumologista Alberto Cukier, professor da US

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