PL proíbe vantagens ilícitas de profissionais de saúde

Vantagens ilícitas de profissionais de saúde
Foto: freepik

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) apresentou, no início de março, o Projeto de Lei nº 438/2020, que tem como objetivo alterar a Lei nº 8.078/1990 – Código de Defesa do Consumidor –, para tipificar como recebimento de vantagem ilícita o ato de profissionais de saúde indicarem serviços específicos.

Alterações na lei

O PL tem como objetivo acrescentar o artigo 68 à lei federal que já vigora. Neste artigo, ficaria vedado aos profissionais de saúde indicarem em suas receitas solicitações de exames, procedimentos laboratoriais, órteses, próteses, lentes de contato, óculos e produtos farmacêuticos específicos por conta de parcerias que ofereçam vantagens. A pena para quem descumprir é detenção de seis meses a dois anos e multa.

Justificativa do deputado

Em sua justificativa, Frota afirma que a relação médico-paciente é pautada pela confiança, reciprocidade, compaixão e autoridade. Entretanto, esses profissionais são constantemente assediados pela indústria farmacêutica e de próteses, órteses e outros produtos para que passem a prescrever medicamentos em troca de brindes, inscrições em congressos, jantares e outros benefícios.

“A título de exemplo, citamos o oftalmologista que recebe comissões da ótica que avia suas receitas, o ortopedista que recebe comissão do fornecedor dos aparelhos que prescreve, o cardiologista que recebe comissões do vendedor de marca-passos que utiliza em seus pacientes, o clínico que recebe comissões do laboratório farmacêutico que produz os medicamentos por ele receitados, e assim por diante”, diz o texto.

Opinião jurídica

O consultor jurídico da Ascoferj, Gustavo Semblano, revela que, do ponto de vista jurídico, o PL tem um lado positivo, já que pretende transformar em crime uma postura que os próprios códigos de ética profissionais já consideram como antiética.

“A questão é que, por vezes, o prescritor recomenda esta ou aquela empresa (ótica, farmácia, etc) por conhecer a qualidade de seus produtos, a idoneidade de seus proprietários, a facilidade de encontrar determinados medicamentos difíceis de serem encontrados”, afirma Semblano.

Por isso, o advogado acredita que a mera indicação não deva ser considerada uma postura ilegal ou mesmo criminosa, apenas se, em decorrência dessa indicação, houver alguma vantagem financeira para o prescritor.

Veja também: CMED estabelece fator para reajuste de preços de medicamentos

Fonte: Revista da Farmácia

Foto de Ascoferj
Ascoferj
A Associação do Comércio Farmacêutico do Estado do Rio de Janeiro (Ascoferj) é uma entidade sem fins lucrativos que atua para defender e preservar os interesses do varejo farmacêutico. No quadro de associados, há farmácias e drogarias independentes, redes de pequeno, médio e grande porte, empresas ligadas ao associativismo e distribuidores de medicamentos e perfumaria. Os associados têm uma série de benefícios e serviços, como assessoria jurídica, cursos de capacitação, consultoria em assuntos regulatórios, descontos e vantagens com parceiros, entre outros. Além disso, a tranquilidade de saber que não se está sozinho, que há com quem contar, principalmente nos momentos de crise. A Ascoferj também atua fortemente junto ao poder público, estreitando relações com o Governo do Estado, prefeituras, deputados, vereadores, secretarias públicas e órgãos reguladores.
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